Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Local de trabalho está a ser o principal foco de contágio da Covid-19 em Portugal

Nem no lazer, nem nos transportes públicos. A maior parte dos casos acontece primeiro em ambiente laboral e depois alastra-se, avisam as autoridades de saúde.

Photo by Alex Kotliarskyi on Unsplash
Photo by Alex Kotliarskyi on Unsplash
Autor: Redação

É dentro de casa, entre familiares, que está a disparar o número de casos de Covid-19 registados em Portugal, em particular na região de Lisboa. Mas a maior parte dos contágios acontece no local de trabalho, entrando depois o coronavírus dentro das habitações e propagando-se entre os coabitantes. A garantia é dada pelas autoridades de saúde nacionais, rejeitando que a primeira infeção aconteça, em geral, em situações de lazer ou por utilização dos transportes públicos.

A informação é avançada numa notícia do Jornal de Negócios, com base em declarações da ministra da Saúde e da diretora-geral da Saúde. 

“Não são conhecidos casos de contágio que tenham tido origem em transportes”, afirmou primeiro Marta Temido na comissão parlamentar da Saúde, no Parlamento, onde foi ouvida. Ainda assim, a governante reconheceu que os transportes públicos, pela sua lotação e condições, “são espaços merecedores de uma especial cautela”. E, por isso mesmo, recordou que o Governo decretou coimas para quem usasse os transportes públicos sem máscara ou viseira, por serem “locais particularmente expostos”.

Depois, mais tarde, a diretora-geral da Saúde detalhou ao diário como está a acontecer a maioria dos novos casos de contágio de Covid-19. “De acordo com os últimos dados de que dispomos, continua a ser o contágio dentro das habitações, das famílias, dos coabitantes o mais importante”, afirmou Graça Freitas em resposta a uma questão do Negócios.

No entanto, e segundo explica a responsável, o novo coronavírus entra dentro das habitações através de contágios que ocorreram principalmente em contexto laboral. Depois da transmissão dentro de casa, o contexto laboral é o segundo principal sítio de contágio e o contexto social o terceiro. Isto quer dizer que, de acordo com a diretora-geral da Saúde, a propagação do vírus tem muito a ver com os ajuntamentos e com o tempo de contacto - ou seja a carga vírica.

“O trabalho e a casa continuam a ser os sítios onde as pessoas passam mais tempo umas com as outras”precisou Graça Freitas, acrescentando que “o caso inicial até pode ter vindo do trabalho, do setor das obras, da indústria ou de outros setores laborais, mas depois o vírus acaba por originar casos na habitação”.

Lisboa, Sintra e Loures com um quinto dos casos

Os números mais recentes, e citado pelo Negócios, mostram que os três municípios portugueses mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus já totalizam 8.104 casos confirmados de Covid-19, o que representa 19% do total de 42.454 infetados contabilizados em Portugal, o que significa que Lisboa, Sintra e Loures detêm muito perto de um quinto dos casos positivos no país.

Por sua vez, estes três concelhos representam cerca de 11% da população, isto tendo por base as estimativas do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) para 2019. Ou seja, o número de infetados em Lisboa (3.544), Sintra (2.704) e Loures (1.856) vai além do peso destes três concelhos para o conjunto da população. Segundo os dados ontem reportados pela DGS, Amadora (1.718) e Vila Nova de Gaia (1.661) seguem respetivamente nos quarto e quinto postos dos concelhos com maior números de casos positivos.

Em termos globais, remata o jornal, o número de óbitos em Portugal devido à pandemia da covid-19 aumentou de 1.576 para 1.579. Ontem foram detetados 313 novos casos de infeção e o número de internados supera os 500 pela primeira vez desde 30 de maio.