De embaixada a hotel de luxo: edifício do século XX ganha nova vida

O antigo edifício da embaixada dos EUA em Londres é agora um hotel de cinco estrelas, que se chama The Chancery Rosewood.
The Chancery Rosewood
Simon Menges

Todas as quartas-feiras espreitamos um hotel com encanto. Desta vez, aterramos na capital britânica, Londres, onde o antigo edifício da embaixada dos EUA em Mayfair, desenhado nos anos 60 pelo arquiteto finlandês Eero Saarinen, ganha uma segunda vida como hotel de luxo: o The Chancery Rosewood

Longe de demolições e substituições totais, este ícone modernista do século XX é agora um hotel que ilustra na perfeição a nova vaga de reabilitação de edifícios históricos em Londres.

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The Chancery Rosewood
Simon Menges

O edifício do número 30 de Grosvenor Square, em Londres, funcionou como embaixada dos Estados Unidos (EUA) até 2017. A sua fachada elegante e sóbria, com motivos art déco e revestida em pedra de Portland, tornou‑se um símbolo da arquitetura institucional de meados do século XX. 

Quando a missão diplomática se mudou para novas instalações, abriu‑se a porta para “reimaginar” o imóvel, preservando ao mesmo tempo a sua identidade histórica.

O atelier David Chipperfield Architects assumiu a liderança global do projeto, desde a restauração da envolvente exterior até à redefinição total dos espaços interiores do novo hotel. 

A intervenção começou pela remoção dos inúmeros elementos de segurança acumulados ao longo das décadas em que ali funcionou a embaixada: barreiras, postos de controlo, reforços e estruturas que tinham alterado por completo a relação do edifício com a praça.

The Chancery Rosewood
Simon Menges

A partir daí, o piso térreo foi aberto para a Grosvenor Square, criando uma transição mais suave entre o espaço público e as novas funções comerciais do hotel: restaurante, bar e lojas. 

Abaixo do nível da rua, o piso subterrâneo foi reorganizado para receber um spa, uma sala de bailes, lugares de estacionamento e mais algumas áreas comerciais.

A intervenção mais decisiva aconteceu no primeiro andar, historicamente o coração do edifício. Este nível tinha sido originalmente pensado como um grande espaço representativo, mas sucessivas alterações tinham‑no dividido em pequenos escritórios. Ao remover divisórias e acrescentos, recuperou‑se o carácter monumental do conjunto, deixando à vista o espetacular teto em diagrid de betão aparente.

The Chancery Rosewood
Ben Anders

Sobre o teto em diagrid, o estudio explica que “foi restaurado e ampliado para criar um piano nobile grandioso e aberto, que reafirma a intenção original de que o edifício parecesse um palácio no parque”.

Esta parte do edifício acolhe agora a receção, vários salões, restaurantes e zonas comuns que recuperam a solenidade moderna do desenho inicial, mas adaptada ao conforto de um hotel de luxo do século XXI.

A transformação não se limitou a recuperar o que já existia: os pisos superiores foram também reorganizados à volta do novo átrio central, que deixa entrar luz natural e organiza toda a circulação vertical do hotel.

As diferentes plantas foram, em grande medida, reconstruídas mantendo intacta a fachada histórica, o que permitiu renovar profundamente o interior sem pôr em causa o valor patrimonial do edifício.

The Chancery Rosewood
Ben Anders

Também o sexto piso foi ampliado. A nova altura entre pavimentos cria uma coroação mais clara para o edifício, inspirada numa solução que o próprio Saarinen chegou a estudar nos primeiros esboços do projeto original.

A recuperação exterior foi tratada com o mesmo cuidado: os vãos em pedra de Portland foram limpos e reparados e toda a envolvente foi alvo de intervenção para atingir níveis de eficiência energética inéditos num edifício deste tipo e desta época.

The Chancery Rosewood
Ben Anders

Sobre este ponto, o atelier sublinha que o The Chancery Rosewood será o primeiro hotel de cinco estrelas do Reino Unido a obter a classificação BREEAM Outstanding, graças às soluções construtivas otimizadas e a “ambiciosos objetivos de sustentabilidade”.

Já o design de interiores do hotel – desde os quartos e suites até aos espaços comuns – ficou a cargo do arquiteto francês Joseph Dirand, cujo estilo refinado e contido encaixa na perfeição com a monumentalidade modernista do edifício original.

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