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Mesquita Nunes no Inmonext Madrid: "O Estado não pode, nem deve, limitar o alojamento local"

Secretário de Estado do Turismo na Inmonext, em Madrid

O secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, assegura que o alojamento local se converteu numa tendência internacional imparável e que, na sua opinião, nenhum país pode dizer a um proprietário o que pode ou não fazer com o seu imóvel, ou a um turista que tipo de turismo deve fazer.

O governante, que criou recentemente uma nova lei para o alojamento local, acredita que estamos perante um fenómeno que não tem volta atrás, que veio para ficar e que não supões um fenómeno que não implica concorrência desleal para o negócio hoteleiro.

Para explicar a sua aposta nesta nova forma de turismo, o secretário de Estado recordou em Madrid, na Inmonext (conferência sobre o presente e futuro do setor imobiliário organizada pelo idealista), que "o alojamento local não é um produto que criaram os proprietários, mas sim que surgiu como consequência da procura turística. É um produto real que se impôs".

Mesquista Nunes, que esteve na capital espanhola na sexta-feira passada, insistiu na Inmonext que os turistas sabem o que procuram e o que querem e que, se não o encontram num país, vão acabar por procurá-lo noutro. 

Por isso, considera, que “o papel do Estado num setor tão competitivo deve ser ajudar a oferta a adaptar-se à procura e permitir que seja o mais inovadora possível, porque a legislação não entende os gostos dos turistas".

Portugal é um bom exemplo disso mesmo hoje em dia, defende o responsável, com o novo regime do alojamento local, que é "muito simples e atrativo" nas palavras de Mesquita Nunes. A nova lei foi criada com o objetivo de evitar que este tipo de arrendamento de casas seja uma atividade clandestina. 

Além disso, lembra o governante, o Governo português reduziu ao mínimo as obrigações legais para registar um imóvel e destiná-lo para turistas.

Estas medidas já estão a dar resultados. "Desde que acabou a lei proibitiva, há menos de seis meses, o número de casas com este fim duplicou no registo oficial. Passámos de 6.000 a 12 mil casas", assegurou.

Mesquita Nunes acredita que, apesar das reticências do setor hoteleiro, as casas para turistas não geram concorrência desleal. Não obstante, considera que o negócio hoteleiro terá que adaptar-se às novas circunstâncias da atividade turísticas, o que poderá levar a centrar-se numa oferta mais seletiva.

"Não é justo dizer que um apartamento é igual a um hotel, porque não são iguais. Há turistas que preferem alojar-se num quarto, enquanto outros preferem apartamentos. Ou o mesmo turista em diferentes ocasiões pode procurar soluções distintas. E é preciso dar resposta a tudo o que é procurado", acrescentou o secretário de Estado do Turismo de Portugal em Madrid.

Para o responsável, o setor turístico está a mudar e o que estamos a viver nestes dias será um cenário completamente normal num prazo máximo de 10 ou 15 anos. "O alojamento local é um desafio, não um problema", concluiu.