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Projeto turístico para ressuscitar aldeia-fantasma travado pela Câmara de Sintra

Autarquia argumenta que a empresa Twink Pro, promotora da obra, avançou sem projeto de licenciamento de construção.

Wikimedia commons
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Autor: Redação

Entre Sintra e Mafra, a cerca de 40 quilómetros de Lisboa, fica localizada uma das últimas povoações saloias da região. Aldeia de Broas está atualmente praticamente em ruínas, com casas de pedra sem telhados, que desde há cerca de 40 anos estão desabitadas. Existe um projeto para exploração turística de parte da aldeia, mas as obras foram embargadas pela Câmara de Sintra, por alegada falta de licenciamento.

“A obra não foi apreciada pelo município, não tendo sido apresentado qualquer projeto de licenciamento de construção”, disse fonte oficial da autarquia ao Público, sendo indicado que os trabalhos foram embargados no dia passado dia 22 de janeiro e, que nessa data, a obra encontrava-se “em fase de execução, estando a estrutura edificada com cobertura parcialmente colocada”. 

O sócio-gerente da empresa Twink Pro, promotora da obra, garantiu, por seu lado, ao jornal que “o requerimento com o pedido de início de obra deu entrada na Câmara Municipal de Sintra”, mas sem esclarecer por que razão avançaram os trabalhos sem o aval da autarquia.

Pedro Policarpo, citado pelo Público, explica que a ideia “é recuperar as edificações da aldeia, respeitando as tradições da arquitetura saloia e vernacular, utilizando os materiais existentes como a pedra ou os rebocos de cal”. Esta “recuperação”, nota, terá como objetivo a “exploração turística de parte dos espaços, chamando mais pessoas a conhecer a aldeia, compatibilizando os usos antigos com um turismo de ambiente rural e de baixa densidade”.

Esta aldeia, tão perto de Lisboa, nunca ofereceu grandes condições de vida. Não havia eletricidade, nem água canalizada, telefone ou saneamento básico. E isso, segundo o diário, explica a razão pela qual a população, sobretudo a mais jovem, se foi afastando. Os acessos continuam a ser difíceis, em terra batida ou lajes de pedra. 

A agricultura e a pastorícia eram o sustento da terra e Pedro Policarpo diz que o projeto também passa, por isso, pela “recuperação da componente agrícola”.