Habitantes da cidade ancestral manifestam-se contra Governo peruano e exigem mudanças na gestão. Turismo está parado.
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Viagens para Machu Picchu
Foto de Errin Casano no Pexels

As antigas ruínas incas de Machu Picchu, no Peru, são famosas em todo o mundo e atraem milhões de turistas todos os anos. Mas, desta vez, esta cidadela peruana é notícia por outras razões: os seus habitantes fecharam o santuário ancestral do século XV e declararam uma “greve total”, juntando-se aos manifestantes de todo o país sul-americano que exigem a demissão da presidente interina Dina Boluarte. Agora, a economia e o turismo de Machu Picchu estão parados.

Foi no dia 20 de janeiro de 2023 que os cerca de 7.000 habitantes de Machu Picchu decidiram declarar uma “greve total” e persuadiram o ministério da Cultura do país a fechar as ruínas ao público, para que os manifestantes das cidades vizinhas não invadissem este parque ancestral. Foi assim que os hotéis, restaurantes e mercados locais de Machu Picchu ficaram em total silêncio, conta o Público citando o The Washington Post.

Esta foi também uma forma dos habitantes desta cidadela do século XV - também conhecida como Aguas Calientes - marcarem uma posição política e exigirem mudanças na economia local. Recorde-se que o Peru tem tido semanas marcadas por protestos que exigem a demissão da presidente interina Dina Boluarte, a sucessora do presidente eleito em 2021, Pedro Castillo, que foi acusado de corrupção, tentou dissolver o Congresso e governar por decreto. Nestes protestos já morreram mais de 50 pessoas.

Os manifestantes rumaram às portas de Machu Picchu para que as suas vozes ecoassem ainda mais alto – e mais longe. Se as dezenas de mortes ainda não tinham derrubado Dina Boluarte, os protestos junto às antigas ruínas incas, que são património mundial da UNESCO e famosas em todo o mundo, poderiam chamar à atenção dos governos e organizações internacionais.

Além da atual situação política do país, os habitantes de Machu Pichu também estão descontentes com o rumo que o mercado turístico está a levar. Segundo a lei peruana, o município de Machu Picchu recebe 10% das receitas do parque. Mas a cidadela ancestral está cada vez mais controlada pelos ferroviários e pelos grandes empresários de hotelaria e restauração, monopolizando os negócios e deixando pouco para o povo, escreve o mesmo jornal. Além disso, o corte da ligação ferroviária já tinha abrandado o fluxo de turistas e interrompido a única via de abastecimento de alimentos e combustível da cidade.

Mesmo com os elevados custos dos protestos – em que há falta de rendimentos para pagar as rendas das casas e das lojas e para comprar alimentos que estão mais caros devido à sua escassez – os habitantes de Machu Picchu decidiram continuar a greve para exigir mudanças na economia local. Até porque mesmo que voltassem a abrir, o turismo não seria o mesmo, dado os cancelamentos recentes das viagens para este parque. Agora, a economia deste local ancestral está completamente parada. E não se sabe quando vai retomar.

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