Descobre como o aumento de eventos climáticos extremos está a sobrecarregar as infraestruturas elétricas e a criar um risco crescente de falhas de energia.
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As alterações climáticas têm vindo a desempenhar um papel cada vez mais significativo na ocorrência de apagões em todo o mundo. Nos últimos anos, assistiu-se a um aumento na frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos, que têm posto à prova as infraestruturas energéticas existentes. Mas, qual é o papel das alterações climáticas nos apagões? 

O Impacto das alterações climáticas nas redes elétricas

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Eventos como ondas de calor, tempestades intensas e variações abruptas de temperatura têm provocado danos significativos nas infraestruturas elétricas, incluindo quedas de árvores sobre linhas de transmissão e inundações que afetam subestações. Um exemplo recente ocorreu a 28 de abril de 2025, quando uma oscilação térmica anómala causou falhas de sincronização na rede elétrica europeia interligada, resultando num apagão que afetou Portugal, Espanha e outros países da Europa. A REN atribuiu este incidente a uma "vibração atmosférica induzida" provocada por variações extremas de temperatura.

Para enfrentar estes desafios, as operadoras de energia em Portugal, como a REN e a EDP, têm implementado estratégias de adaptação às alterações climáticas. Estas ações incluem a revisão dos planos de segurança de infraestruturas críticas, o investimento em tecnologias de monitorização avançada e o reforço da resiliência das redes de distribuição. Além disso, têm sido desenvolvidos planos de continuidade de negócio que contemplam cenários de eventos climáticos extremos, visando minimizar o impacto no fornecimento de energia. 

A Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC) também destaca a importância de medidas proativas para aumentar a robustez das redes elétricas face às futuras condições climáticas.

Exemplos de apagões causados por alterações climáticas

Além da Península Ibérica, outras regiões têm enfrentado apagões relacionados com condições meteorológicas extremas. Por exemplo, em julho de 2023, um ciclone extratropical no sul do Brasil deixou cerca de 1,3 milhão de consumidores sem energia elétrica no Paraná, 900 mil no Rio Grande do Sul e 400 mil em Santa Catarina. Estes eventos demonstram como as alterações climáticas podem causar falhas significativas nas redes elétricas, sublinhando a necessidade de reforçar a resiliência das infraestruturas energéticas a nível global.

Como se pode evitar os apagões?

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Para prevenir apagões num contexto de alterações climáticas, é essencial adotar uma abordagem integrada que combine energias renováveis, redes inteligentes e políticas de resiliência energética. As energias renováveis, como a solar e a eólica, desempenham um papel crucial na redução da dependência de combustíveis fósseis e na mitigação das emissões de gases com efeito de estufa. No entanto, a sua natureza intermitente requer soluções complementares, como sistemas de armazenamento de energia e redes elétricas inteligentes que possam equilibrar a oferta e a procura em tempo real.

Além disso, projetos de modernização da rede elétrica, incluindo a implementação de tecnologias digitais e sistemas de armazenamento de energia, estão em curso para melhorar a capacidade de resposta a flutuações na produção e no consumo de eletricidade. A nível da União Europeia, o Acordo Verde Europeu estabelece objetivos para alcançar a neutralidade climática até 2050, promovendo a descarbonização do setor energético e o desenvolvimento de infraestruturas resilientes e interligadas.

Os maiores apagões da história

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Ao longo da história, diversos apagões elétricos marcaram épocas e evidenciaram a vulnerabilidade das infraestruturas energéticas face a falhas técnicas, fenómenos naturais extremos e desafios de planeamento. Estes eventos, muitas vezes inesperados, tiveram impactos significativos em milhões de pessoas, afetando serviços essenciais e a economia de países inteiros. Eis alguns exemplos dos maiores apagões da história provocadas por alterações climáticas: 

  • Texas, EUA: em fevereiro de 2021, uma onda de frio extremo atingiu o Texas, provocando falhas generalizadas no fornecimento de energia. As temperaturas extremamente baixas congelaram equipamentos e interromperam a produção de energia, deixando milhões de residentes sem eletricidade durante dias. Este evento destacou a vulnerabilidade das infraestruturas energéticas face a condições climáticas extremas.
  • Sul do Brasil: em julho de 2023, um ciclone extratropical no sul do Brasil causou apagões que afetaram cerca de 1,3 milhão de consumidores no Paraná, 900 mil no Rio Grande do Sul e 400 mil em Santa Catarina. As fortes chuvas e ventos intensos provocaram danos significativos nas redes elétricas, evidenciando os riscos associados a eventos climáticos extremos.

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