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Venda do Novo Banco dificultada por perdas que o banco poderá ter de assumir

Autor: Redação

O processo de venda do Novo Banco tem sido dificultado pelas perdas que o banco poderá ter de assumir, decorrentes de ativos problemáticos e processos judiciais em curso, e que nem potenciais compradores nem o Estado querem suportar.

Segundo a Lusa, que cita várias fontes do setor financeiro, mais importante que o valor oferecido pelo Novo Banco no imediato é saber quem assegura “os riscos futuros” com que a instituição ainda se pode confrontar: se o comprador se o Estado.

Em causa está o chamado “side bank”, que agrega os ativos a serem vendidos ou liquidados, mas também crédito malparado, e que poderá levar à assunção de perdas significativas de futuro. No fim de junho de 2016, estes ativos ascendiam a 10,2 mil milhões de euros (líquido de provisões), sendo então objetivo da administração liderada por António Ramalho reduzir o valor para, pelo menos, nove mil milhões de euros até dezembro passado.

Quanto à litigância que pode envolver o Novo Banco, esta decorre nomeadamente de processos judiciais relacionados com a resolução do BES, caso dos 835 milhões de euros que a Oak Finance (da Goldman Sachs) reclama do Novo Banco por ter emprestado ao BES esse dinheiro nas vésperas da sua queda. Apesar do Banco de Portugal (BdP) dizer que este empréstimo passou para o “banco mau” BES, a Oak Finance discorda e pede nos tribunais que seja o Novo Banco a pagar.

De referir que o Novo Banco foi o banco de transição criado a 3 de agosto de 2014 para ficar com os ativos considerados menos problemáticos do BES, então alvo de uma medida de resolução. Inicialmente, o banco foi capitalizado com 4,9 mil milhões de euros através do Fundo de Resolução bancário (participado pelos bancos que operam em Portugal, sendo 3,9 mil milhões de euros de um empréstimo do Tesouro), a que se somaram mais 2.000 milhões de euros no final de 2015 com a decisão do BdP de transferir obrigações seniores para o “banco mau” (num novo 'bail-in', resgate interno). Contudo, apesar de ter nascido com o rótulo de “banco bom”, o Novo Banco acumula prejuízos de 1.800 milhões de euros, até setembro de 2016.

Processo de venda atribulado

No que diz respeito ao processo de venda, tem sido complicado: em setembro de 2015, foi cancelado o primeiro processo de alienação, com o BdP a considerar que nenhuma proposta apresentada era interessante.

Já no início de 2016 arrancou o segundo processo, tendo as autoridades portuguesas até agosto de 2017 para encontrar comprador, por acordo feito com a Comissão Europeia.

O fundo norte-americano Lone Star será o principal candidato à compra do Novo Banco, com a imprensa a dar conta de uma oferta de 750 milhões de euros, sendo que a Lone Star exige uma contragarantia do Estado português até aos 2,5 mil milhões de euros.

Na corrida está ainda oficialmente o fundo norte-americano Apollo/Centerbridge, que tem sido muito discreto no seu posicionamento neste tema, escreve a Lusa.