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Jovens LGBTI sentem-se inseguros nas escolas por causa da orientação sexual

Redd Angelo/Unsplash
Redd Angelo/Unsplash
Autor: Redação

Mais de um terço dos jovens LGBTI sentem insegurança na escola por causa da sua orientação sexual, e 27,9% por causa da sua expressão de género, revela o Estudo Nacional sobre o Ambiente Escolar, divulgado esta quarta-feira (20 de junho). Os resultados do estudo mostram que as escolas nem sempre são vistas como espaços seguros para estes alunos, por serem alvo de insultos, assédio e outras atitudes discriminatórios que os impedem de mostrar “realmente quem são”.  

Os jovens LGBTI sentem-se inseguros nas escolas? Ouvem comentários negativos? São vítimas de bullying ou assédio? Que tipo de recursos e apoio encontram nas instituições que frequentam? Estas foram algumas questões que a ILGA Portugal (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo), numa parceria com o Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE-IUL e Centro de Psicologia da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, com o apoio da GLSEN (Gay, Lesbian and Straight Education Netwo), quis ver respondidas.

Os resultados do relatório da ILGA – reuniu respostas de 663 jovens entre os 14 e os 20 anos de idade – adiantam ainda que cerca de um quarto dos jovens evita frequentar espaços como balneários, casas de banho ou aulas de educação física, por insegurança ou desconforto (33,6%, 25,5% e 22,2%, respetivamente). Áreas como recintos desportivos (14,2%) ou a cantina ou bar da escola (13,3%) são também evitadas por estes jovens.

Comentários homofóbicos são uma realidade

A maioria, cerca de 61,1%, já ouviu comentários homofóbicos de forma regular ou frequente. “Os meus professores são extremamente machistas, misóginos e fazem frequentemente comentários machistas e homofóbicos”; “Já sofri de muito preconceito por (…) quer professores, funcionários ou alunos”; “um rapaz disse que eu era ‘nojenta' por gostar de raparigas”; “o meu professor de português era homofóbico e estava sempre a mandar piadas”. Estes foram alguns dos depoimentos partilhados pelos estudantes.

Os dados mostram que apenas um em cada três estudantes (31,9%) denunciou pelo menos uma vez estas situações ao pessoal da escola, e apenas 30,4% destes alunos que denunciaram consideram que o pessoal da escola respondeu de forma eficaz às situações.

7,7% da amostra foi vítima de agressões físicas

Dois terços dos jovens (66,7%) afirmaram ter sido alvo de agressões verbais por causa de características pessoais, a maioria por causa da sua expressão de género (66,6%), da sua orientação sexual (55%) e um quarto (25,7%) por causa da sua identidade de género. Mas as agressões físicas também são uma realidade: 7,7% da amostra foi vítima de agressões físicas (murros, pontapés ou agressão com objetos ou armas) por causa de características pessoais. “Os meus colegas apertavam-me o pescoço por eu ser gay”, revelou um dos jovens.

A grande maioria dos inquiridos (93,3%) é capaz de identificar pelo menos um elemento do pessoal docente ou não docente da escola que apoia estudantes LGBTI, apesar de apenas metade dos alunos se sentir confortável para falar sobre estas questões com o psicólogo ou assistente social da escola.

O que devem fazer as escolas?

De acordo com o relatório da ILGA, parecerem “existir evidências da necessidade de uma estratégia mais ativa de intervenção no combate à homofobia e transfobia em contexto escolar, que abranja vários agentes das comunidades escolares: estudantes, pessoal docente e não docente (psicólogos, educadores sociais, bibliotecários, pessoal auxiliar), encarregados de educação”.

É preciso potenciar, segundo a associação, um ambiente escolar mais inclusivo e atento às especificidades de jovens LGBTI de forma a aumentar o seu bem-estar, reduzir o absentismo e potenciar o seu desempenho académico.

A ILGA recomenda no relatório que as temáticas LGBTI estejam mais presentes nas escolas, nas atividades desenvolvidas, assim como na formação “de futuro pessoal docente e não-docente”. A associação pede ainda que seja respeitada a identidade de jovens transgénero, “reconhecendo o seu nome social e o direito à utilização adequada de espaços comuns”, e ainda que haja uma condenação clara do bullying homofóbico e transfóbico.