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Especial LGBTI: Assim é Chueca, o bairro arco-íris onde toda a gente quer fazer vida

O bairro fica localizado em Madrid, Espanha
O bairro fica localizado em Madrid, Espanha
Autores: @davidmarrero, Luis Manzano, Leonor Santos

Madrid é uma das cidades mais LGBTI-friendly da Europa e do Mundo: surge em primeiro lugar no ranking “Best LGBT Cities 2017”. O bairro de Chueca, na capital espanhola, é um dos símbolos do orgulho gay da cidade. Viver lá é a vontade de muitos, mas atualmente uma possibilidade para poucos, porque os preços das casas dispararam. Mas nem sempre foi assim. Antes era um bairro degradado: foi o movimento LGBTI que tornou Chueca num dos sítios da moda para todos.  

De bairro degradado a zona top

O bairro de Chueca tornou-se num dos mais procurados em Madrid. É um símbolo de liberdade, respeito e tolerância, que nos últimos anos se converteu numa referência para o movimento LGBTI em todo o mundo. 

O coletivo LGTBI foi um dos grandes responsáveis pela recuperação deste bairro. Até à chegada desta comunidade, Chueca era um bairro feio, deprimido e até evitado pela população em geral. Foi sendo recuperado e regenerado, e acabou por tornar-se numa das zonas mais badaladas da capital espanhola, com uma grande variedade de lojas e restaurantes para todo o tipo de públicos, mesmo fora do mundo arco-íris.

“A Chueca é hoje um modelo de convivência entre os vizinhos e aqueles que aqui se instalaram, nos últimos anos, atraídos pelo respeito à diversidade que se respira nas suas ruas e praças”, lê-se no site Visitchueca – Portal do Turismo do bairro LGBTI de Madrid.

Lapaviés e Malasaña, os novos bairros da moda

A sua proximidade ao centro da capital e aos arredores do eixo Passeio do Prado-Recoletos-Castellana fez disparar os preços do metro quadrado (m2) para os 6.369 euros. No arrendamento acontece o mesmo: o preço do m2 situa-se nos 22,57 euros, o que quer dizer que uma casa de 80 m2 pode custar mais de 1.800 euros por mês, segundo os dados do idealista. Mas já há casas para arrendar que ultrapassam os 5.000 e os 7.000 euros mensais. 

Hoje em dia, o bairro está a viver os efeitos da gentrificação, devido ao excesso de turismo, e começam a surgir zonas alternativas, como Lavapiés e Malasaña, que continuam centrais, mas a preços mais baixos - ainda que cada vez mais altos e a deixar de ser acessíveis, também.

Quando Federico e o seu companheiro decidiram dar o passo para ir viver juntos estavam a morar num apartamento na Chueca. O jovem italiano, a morar em Madrid, contou ao idealista/news que decidiram nem considerar a opção de Chueca por causa do valor das rendas, que é muito alto. “Sempre procurámos o centro, é onde gostamos de morar, onde saímos e onde trabalhamos. Vimos que em Lavapiés havia apartamentos de boa qualidade a um preço mais acessível, ou seja, estamos a 10-15 minutos do Sol ou da Gran Vía ", explicou o jovem, atualmente a viver numa zona alternativa e que acolhe cada vez mais elementos da comunidade LGBTI.

Preços altos empurram moradores para fora 

“A comunidade LGTBI ainda está à procura de apartamentos na Chueca. O problema é a baixa rotatividade das casas e os preços elevados que chegam tanto à compra quanto à renda, que não são tão acessíveis como Malasaña ou Lavapiés. O crescimento do arrendamento de casas a turistas deixa poucas casas para o mercado tradicional ", garante Pablo de la Cruz, diretor da imobiliária Simma na Chueca.

A verdade é que os preços de venda em Malasaña também subiram, mas ainda são inferiores, quando comparados com a Chueca. Os valores situam-se nos 5.503 euros por m2. O preço médio do arrendamento situa-se nos 20,49 euros por m2, o que quer dizer que uma mesma casa de 80 m2 já pode custar cerca de 1.630 euros mensais. Em Lavapiés o preço médio de venda situa-se nos 4.568 euros por m2 e o preço dos arrendamentos rondam os 19,42 euros por m2. Aqui, uma casa de 80 m2 também já pode chegar aos 1.500 euros por mês.