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Escalada dos preços das casas ameaça economia portuguesa, avisa FMI

Autor: Redação

O mercado imobiliário em Portugal é, atualmente, um perigo para o sistema financeiro e, consequentemente, para as economia nacional e europeia. O aviso é dado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no mais recente relatório sobre a Zona Euro, depois de, em fevereiro deste ano, já ter vindo dar nota de que estava atento à evolução dos preços das casas no território luso. No panorama nacional, várias entidades, tais como o Banco de Portugal e a CMVM, têm vindo a fazer soar os alarmes no mesmo sentido.

"As vulnerabilidades financeiras podem estar a emergir. Há sítios — como por exemplo Luxemburgo, algumas cidades alemãs e outras zonas em Portugal e na Holanda –, onde os desajustes entre a procura e a oferta estão a impulsionar uma forte valorização dos preços dos imóveis residenciais e comerciais“, aponta o Relatório do FMI, publicado esta quinta-feira e citado na imprensa.

Os medos de Lagarde

A entidade liderada por Christine Lagarde receia que uma correção no valor dos imóveis possa colocar em causa a estabilidade do sistema financeiro e limitar o crescimento das economias da região, segundo indica no documento sobre o crescimento económico da Zona Euro e a resiliência do setor financeiro a possíveis choques.

Esta não é a primeira vez que o FMI aponta o dedo à evolução do setor imobiliário em Portugal, tendo frisado nos vários relatórios deste ano que é preciso monitorizar a subida dos preços das casas, tendo em conta o peso que o crédito à habitação tem sobre o total dos empréstimos concedidos pela banca a operar no mercado nacional.

Outros perigos 

Entre as ameaças para a região da zona euro, a par do setor imobiliário, o FMI aponta no relatório publicado ontem também a carga elevada da dívida ainda elevada das famílias e empresas, bem como o potencial impacto dos ciberataques e a incerteza política — sobretudo devido às negociações sobre o Brexit — em conjunto com o aumento do protecionismo.

Por outro lado, o FMI recomenda uma suavização acautelada da política monetária do Banco Central Europeu (BCE), afirmando que "é importante haver um planeamento cuidadoso na retirada das medidas excecionais no médio prazo”, para tentar minimizar os efeitos negativos no setor, uma vez que a redução das operações de refinanciamento terá impacto no custo de financiamento dos bancos.