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Há 20 anos que o euro está nas nossas vidas - milhões de escudos continuam nas mãos dos portugueses

Autor: Redação

Lançado em 1 de janeiro de 1999, o euro é atualmente a moeda única de cerca de 340 milhões de pessoas, em 19 países, incluindo Portugal. À taxa de câmbio fixada naquela data, um euro entrou na economia a valer 200,482 escudos. Há 20 anos, o escudo - à semelhança das restantes moedas nacionais dos estados aderentes - deixou assim de existir. Mas mais de 96 milhões de euros em notas de escudo estão ainda nas mãos dos cidadãos, o equivalente a 11,5 milhões de notas.

O processo de entrada do euro na economia real foi faseado. Nos três anos seguintes ao lançamento em 1999, a moeda única foi uma divisa ‘invisível’, sendo apenas utilizada para fins contabilísticos, como pagamentos eletrónicos. Somente, a partir de 1 de janeiro de 2002 entraram em circulação oficial as notas e moedas de euros.

Inicialmente, esta era a nova moeda oficial de 11 países da União Europeia (UE), entre os quais Portugal. Com o alargamento da UE, tal como recorda a Lusa, a zona euro ganhou novos membros e hoje integra 19 países – Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda e Portugal.

Uma história com duas caras

Por ocasião do 20.º aniversário do ‘nascimento’ do euro, o presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças de Portugal elegeu a moeda única como “um dos maiores sucessos europeus”.

“A sua importância e o seu impacto durante as duas primeiras décadas da sua história são incontestáveis, mas o seu futuro permanece por escrever. A responsabilidade que pesa sobre nós é, assim, histórica”, declarou o responsável em comunicado, citado pela agência de notícias.

Também a propósito dos 20 anos do euro, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, afirmou, num discurso em 15 de dezembro de 2018 citado pela Lusa, que “as duas décadas em que o euro existiu talvez tenham sido únicas”, primeiro com “o culminar de uma recuperação de 30 anos no ciclo financeiro global”, e depois com “a pior crise económica e financeira desde a década de 1930".

Para o presidente do BCE, excepcionais como foram, estes dois períodos podem ensinar lições úteis sobre o que ainda é preciso fazer.

Mas as duas décadas do euro ficam também marcadas por crises, designadamente a crise financeira internacional, em 2008, e a crise da dívida pública da zona euro, que começou em 2009.

Mais de 96 milhões de euros em notas de escudo guardadas

Considerando apenas as notas de escudo não prescritas, ou seja, as que ainda são susceptíveis de troca nas tesourarias do Banco de Portugal, “estarão ainda em poder dos cidadãos (portugueses ou não) notas de escudo de valor equivalente a 96,3 milhões de euros”, disse à Lusa o Banco de Portugal.

No total, e tendo em consideração as notas de escudo que ainda não prescreveram, “estarão ainda em poder dos cidadãos (portugueses ou não), em 26 de dezembro de 2018, um total de 11.508.683 notas de escudo”, adiantou.

A nota de 500 escudos chapa 13 é aquela que os cidadãos ainda têm em maior quantidade, num total de 4,38 milhões, correspondentes a 10,9 milhões de euros, seguindo-se a nota de 1.000 escudos, também chapa 13, num total de 3,75 milhões de notas, equivalentes a 18,7 milhões de euros.

As datas para trocar escudos por euros

O prazo para entregar as notas de escudo ainda susceptíveis de troca nas tesourarias do Banco de Portugal prolonga-se até ao dia 28 de fevereiro de 2022, inclusive.

Já o prazo para trocar moedas de escudo por euros terminou em 31 de dezembro de 2002, ficando por trocar o equivalente a 184,2 milhões de euros em moedas de escudo (correntes e de colecção), segundo dados do Banco de Portugal.

Mas ainda há esperança e o regulador indica algumas alternativas para quem deixou as moedas de escudo no esquecimento. “Podem tentar perceber sobre as mesmas se têm algum valor numismático, contactando, por exemplo, casas/clubes/fóruns de numismática”, indicou o Banco de Portugal à Lusa, acrescentando que, “dependendo da moeda em questão (denominação, data, emissão, entre outros) e do seu estado de conservação, pode haver interessados na compra”.