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Confeitaria Nacional e Fábrica Confiança passam a ser monumentos de interesse público

Com esta classificação, qualquer intervenção que seja feita nos imóveis ficará sujeita às restrições previstas na lei e depende da aprovação prévia da DGPC.

Wikimedia commons
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Autor: Redação

Aos 190 anos, a emblemática Confeitaria Nacional, em Lisboa, foi classificada como monumento de interesse público. A mesma classificação foi atribuida ao Liceu Maria Amália, também na capital, à Fábrica Confiança, em Braga, e ao complexo da Companhia União Fabril (CUF), no Barreiro. As classificações foram publicadas, nesta segunda-feira, dia 19 de outubro de 2020, em Diário da República, e, a partir de agora, qualquer intervenção que seja feita nestes imóveis ficará sujeita às restrições previstas na lei e depende da aprovação prévia da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

“É classificada como monumento de interesse público a Saboaria e Perfumaria Confiança, ou Fábrica Confiança, na Rua Nova de Santa Cruz, 107 a 115, Braga”, lê-se na portaria assinada pela secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira, referindo-se à indústria fundada em 1894, onde se chegaram a produzir 150 diferentes marcas de sabonetes.

O documento salienta que o edifício, inaugurado em 1921, tem uma “impressiva frente urbana”, bem “representativa da arquitetura industrial oitocentista”, que em “muito contribuiu para a definição urbanística do eixo viário principal e de toda a envolvente, onde se concentravam outrora diversas unidades fabris” – um desses exemplos era a fábrica de chapéus Social Bracarense, cujo edifício já desapareceu, tal como recorda o Público.

A secretária de Estado responsável pelo património cultural frisa que o imóvel da Confiança foi “sendo progressivamente abandonado” durante o processo de “desaparecimento do tecido industrial tardo-oitocentista de Braga”, sendo considerado que este é o “último testemunho bracarense de um património do qual existem cada vez menos vestígios”.

No que diz respeito à centenária confeitaria da baixa lisboeta recebeu classificação, a classificação abrange o “piso térreo e primeiro andar, incluindo o património móvel integrado”, entre a Praça da Figueira, 18-A a D e na Rua dos Correeiros, 238, e põe fim a um procedimento que se estendia desde 2017. 

A Confeitaria Nacional abriu portas em 1829, no rescaldo da Guerra Civil entre Liberais e Absolutistas, pela mão de Balthazar Rodrigues Castanheiro, que conseguiu “rapidamente, transformar o espaço — único no seu género — num dos lugares de eleição das elites lisboetas. Manteve-se sempre na mesma família e é ainda hoje reconhecida pelo famoso bolo-rei, uma receita que um confeiteiro terá trazido de Paris. 

Para este reconhecimento, escreve o diário noutro artigo, pesou o facto de este estabelecimento ser “testemunho notável de vivências ou factos históricos”, mas também o seu “valor estético, técnico ou material intrínseco do bem e a concepção arquitetónica e urbanística”. 

Liceu Maria Amália e CUF também foram classificados

O antigo Liceu Feminino de Maria Amália Vaz de Carvalho foi também esta segunda-feira classificado como monumento de interesse público. Instituído por decreto régio de 1906, foi o primeiro liceu feminino do país. Foi o arquiteto Miguel Ventura Terra o responsável por projetar o edifício da Rua de Rodrigo da Fonseca, 115, "com algumas alterações introduzidas por António do Couto de Abreu”, tendo clara influência dos modelos franceses dos Lycée. 

Além de manter a sua vocação educativa, o imóvel "conserva ainda quase intato o programa arquitetónico original, bem como um importante acervo de mobiliário, arquivos documentais e fotográficos, a coleção de instrumentos científicos dos laboratórios de Física e Química, e os espaços dedicados a Geografia e História, onde se conserva diversa cartografia, e a Biologia-Geologia, incluindo o depósito de Geologia e Mineralogia”, lê-se no despacho de classificação. 

Classificado como conjunto de interesse público está também o conjunto de imóveis ligados à atividade industrial e à obra social da Companhia União Fabril (CUF), no Barreiro, um dos maiores conjuntos industriais portugueses, que trabalhou quase um século. Instalada na ínsula do Barreiro desde 1907, a CUF “representa para Portugal o pioneirismo e gigantismo no seio das indústrias químicas nacionais, tendo criado sinergias para o desenvolvimento de fábricas congéneres.”

“O complexo da CUF mantém ainda hoje arquiteturas autênticas e de relevante valor histórico e cultural e social, testemunhando diversas fases de produção e de laboração de um dos maiores complexos industriais europeus e dos mais significativos enquanto património industrial português e inclui, ainda, toda uma série de equipamentos de natureza social.”

A classificação como conjunto de interesse público abrange a Casa-Museu Alfredo da Silva; antigo Posto da GNR; Edifícios da Primeira Geração Stinville (1907-1917); Edifícios da Antiga Central a Vapor; Armazém de Descarga e Moagem de Pirites; Bairro Operário de Santa Bárbara; antiga sede do Grupo Desportivo da CUF; Mausoléu de Alfredo da Silva; Silo de Sulfato de Amónio (1952); Silo de Enxofre (1960); e Museu Industrial e Centro de Documentação (antiga Central Diesel, 1928-1937).