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Novo Banco: injeção de capital não deverá pôr em risco défice de 2019

Autor: Redação

O Novo Banco fez saber que vai pedir mais 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital, depois de ter divulgado as contas (e prejuízos) do ano passado. As Finanças já vieram dizer, entretanto, que a recapitalizarão não deverá pôr em risco a meta do défice de 2019, uma vez que o montante não está fechado e o défice beneficiará do saldo de 2018 e da receita do BPP.

O gabinete liderado por Mário Centeno disse à Lusa que o valor que o Fundo de Resolução colocará no Novo Banco "poderá ser inferior" aos 1.149 milhões de euros pedidos, recordando que esse montante "carece ainda de validação pela Comissão de Acompanhamento e pelo Agente de Verificação, como previsto nos mecanismos contratuais definidos no âmbito do Acordo-Quadro celebrado".

Ainda assim, dizem as Finanças “o montante em causa não deverá implicar uma revisão dos objetivos definidos para 2019”, dada a “evolução positiva do saldo em 2018, que se reflete na execução orçamental de 2019" e dos “outros riscos positivos da execução orçamental, designadamente a transição da receita do BPP para o ano em curso”.

Injeções públicas ficarão em mais de 1.900 milhões de euros.

Na sexta-feira (dia 1 de março de 2019), o Novo Banco apresentou as contas de 2018 ( 1.412 milhões de euros de prejuízos desde que foi criado, portanto o quinto ano consecutivo de resultados negativos) e indicou que vai pedir ao Fundo de Resolução 1.149 milhões de euros para se recapitalizar – o valor corresponde a um encargo de 0,55% do PIB segundo as contas da agência de notícias.

A injeção de capital no Novo Banco cabe ao Fundo de Resolução bancário, que apesar de beneficiar das contribuições dos bancos do sistema, está na esfera do Estado, o que quer dizer que o montante total que injetar no Novo Banco deverá contar para o défice. Na prática, o Fundo de Resolução não tem a totalidade do dinheiro necessário para pôr no Novo Banco e deverá recorrer a um empréstimo do Tesouro.

No ano passado, o Novo Banco já tinha recebido uma injeção de capital de 792 milhões de euros do Fundo de Resolução, tendo o Estado emprestado 430 milhões de euros. A concretizar-se o valor pedido agora, as injeções públicas ficarão em mais de 1.900 milhões de euros.