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Palácio dos Correios do Porto vai ser edifício de escritórios e lojas (e não um hotel)

O edifício é contíguo a outro que foi comprado pela autarquia do Porto. / porto.pt
O edifício é contíguo a outro que foi comprado pela autarquia do Porto. / porto.pt
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

O Palácio dos Correios, na Praça General Humberto Delgado, junto aos Aliados no Porto, vai ser transformado num empreendimento de escritórios e lojas e não num hotel de cinco estrelas, como inicialmente tinha sido anunciado. A Câmara do Porto não gostava da ideia de ter mesmo à sua porta uma unidade hoteleira, e o grupo Ferreira, agora único proprietário do emblemático imóvel – a Habitat Invest vendeu os 50% que detinha ao grupo liderado por Gaspar Ferreira –, adaptou o projeto, indo ao encontro da pretensão da autarquia.

O idealista/news apurou que a nova solução, apresentada à autarquia pelo grupo Ferreira, agrada a todos e a recetividade ao projeto é tal, que, embora as obras de renovação ainda nem tenham começado, mais de um terço do espaço de escritórios, já está reservado.

O conhecido edifício do Palácio dos Correios é contíguo a outro edifício, onde está instalado o Gabinete do Munícipe, que foi comprado pela autarquia a um fundo, em finais de 2017.

O edifício municipal, em conjunto com o imóvel propriedade do grupo Ferreira – designados por Palácio dos Correios -, chegaram a estar referenciados como podendo receber a sede da Agência Europeia do Medicamento, caso Portugal ganhasse a candidatura, mas tal, como se sabe, não aconteceu.

Falta de oferta de serviços justifica reorientação do projeto

Rui D’Ávila, administrador do grupo Ferreira, confirmou ao idealista/news, que o emblemático edifício do Palácio dos Correios - localizado ao lado dos Paços do Concelho e onde, em parte do edifício, ainda funcionam a loja do CTT -, vai ser reabilitado e transformado em escritórios e lojas de comércio de rua.

A autarquia do Porto, que identificou a falta de projetos de serviços na Baixa da cidade, deu um forte apoio a esta solução, em detrimento da construção de mais uma unidade hoteleira de cinco estrelas.

Neste momento, na Avenida dos Aliados tem em fase de construção três unidades hoteleiras, sendo que dois deles são de cinco estrelas. Em fase de estudo encontram-se três outros projetos, que, contudo, também podem vir a ser transformadas em habitação e comércio.

Grupo Ferreira faz investimento de 40 milhões 

Rui D’ Ávila explica que esta solução exige um investimento inferior, cerca de 40 milhões de euros (a transformação em hotel exigia 55 milhões de euros), e um prazo de renovação do edifício de apenas um ano.

“O objetivo é ter concluída a reabilitação da componente de escritórios até ao final de 2019”, revelou Rui D’ Ávila.

Contudo, garante, que grupo Ferreira vai fazer um projeto de grande qualidade. “Vai ser um dos melhores empreendimentos de escritórios da cidade”, considera o gestor, destacando a localização prime do imóvel.

Mais de um terço dos escritórios reservados

A área total de escritórios no Palácio dos Correios é de 16 mil m2 e, de acordo com João Leite Castro, responsável da Predibisa Corporate, neste momento, tem já clientes interessados para uma área de mais de seis mil m2. Contudo, acredita que em poucos meses o total dos espaços será arrendado, tendo em conta a procura que se faz sentir na Baixa do Porto por estes espaços.

Rui D’Ávila partilha da mesma convicção, considerando que, neste momento, a rentabilidade dos projetos de escritórios é garantida.

A administrador do Grupo Ferreira revela, ainda, que “numa primeira fase será dada prioridade à remodelação dos andares superiores e só depois serão reconvertidas as lojas”.

Afirmação do comércio de rua

Na fachada nobre do edifício, virada para a Avenida dos Aliados, estão previstas três lojas, com áreas de 200 m2, cada uma. Nas traseiras do edifício estão previstas mais lojas, mas com áreas inferiores.

O responsável do grupo Ferreira destaca que o comércio na baixa do Porto tem ainda um percurso a fazer e a sua afirmação ainda não aconteceu. Uma situação que vai acontecer quando estiverem concluídos os vários projetos, alguns em edifícios prime, e que estão atualmente em construção.