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Imóveis comprados à Fidelidade pela Apollo desde o paraíso fiscal de Caimão

Wikimedia commons
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Autor: Redação

A operação de compra dos 271 imóveis da Fidelidade por parte do fundo norte-americano Apollo, no valor de 425 milhões de euros, aconteceu a partir das Ilhas Caimão. Os novos proprietários dos ativos que eram da seguradora montaram uma estrutura acionista em cascata, que passa por duas praças financeiras. No topo estão três fundos sedeados no paraíso fiscal, havendo pelo meio duas sociedades estabelecidas no Luxemburgo.

De forma resumida, a partir de uma notícia avançada pelo Público, as novas donas dos imóveis são quatro empresas portuguesas: a Meritpanorama, a Fragrantstrategy, a Notablefrequency e a Neptunecategory. Quem detém diretamente o seu capital é a sociedade de responsabilidade limitada luxemburguesa AEPF III 35. Esta é, por sua vez, detida a 100% por outra empresa da Apollo sediada na mesma morada, a AEPF III 13.

Segundo o jornal, é através da morada Box 309 da Ugland House nas Ilhas Caimão, que é sede de 18 mil sociedades, que o grupo Apollo controla as novas proprietárias dos imóveis comprados à Fidelidade no verão passado. É, precisamente, aí onde estão sedeados os três fundos da Apollo: o Apollo European Principal Finance Fund III (Dollar A), o Apollo European Principal Finance Fund III (Master Dollar B) e o Apollo European Principal Finance Fund III (Master Euro B).

Por sua vez, estes três fundos das ilhas Caimão controlam muitas outras empresas no Luxemburgo. A AEPF III 35 e a AEPF III 13 são, de acordo com o Público, apenas dois entre os vários fios. Ao seu lado, nos escritórios da Apollo no Grão-Ducado, no n.º 2 da Avenida Charles de Gaulle, há uma longa série de sociedades que têm a mesma raiz nas Caimão. A lista é extensa e chega até ao número 49: há a AEPF III 1, a AEPF III 2, a AEPF III 3, a AEPF III 4, a AEPF III 6, a AEPF III 7, a AEPF III 9, a AEPF III 10, a AEPF III 12, a AEPF III 13 e assim sucessivamente.

E quem procura as empresas na sede em Lisboa é reencaminhado para outro escritório, detalha o diário, dando nota de que esta construção accionista da Apollo é em tudo idêntica à estratégia de triangulação usada com muitos outros investimentos na Europa, onde tem escritórios no Luxemburgo, em Londres, Frankfurt e Madrid.