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“Rei dos Frangos” comprou dívida da promotora Imosteps (de Luís Filipe Vieira) por 8 milhões

Para o dono da Promovalor e presidente do Benfica, este “fez um ótimo negócio”.

Autor: Redação

José António dos Santos, conhecido como “Rei dos Frangos”, comprou por oito milhões de euros a dívida da promotora imobiliária Imosetps, de Luís Filipe Vieira, que o Novo Banco tinha vendido ao fundo norte-americano Davidson Kempner. Para o dono da Promovalor e presidente do Benfica, este “fez um ótimo negócio” ao recomprar a dívida que lhe tinha pertencido.

Luís Filipe Vieira revelou a operação esta segunda-feira (10 de maio) numa audição no Parlamento, no âmbito da Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

O também presidente do Benfica foi questionado pela deputada Mariana Mortágua (BE) sobre se conhecia o fundo Iberis Semper, que adquiriu à Davidson Kempner a dívida que este fundo comprou ao Novo Banco. "Não conheço o fundo, mas a pessoa que pôs o dinheiro conheço", disse Luís Filipe Vieira, confirmando que a pessoa que financiou a operação foi o empresário José António dos Santos, acionista da Valouro. "Ele pagou. Acho que fez um ótimo negócio", disse.

Luís Filipe Vieira revelou que o fundo Davidson Kempner o contactou e disse "por quanto é que vendia aquilo", mas as suas empresas não tinham dinheiro mas iam "arranjar comprador". "O comprador foi precisamente esta pessoa [José António dos Santos], através de um fundo que constituiu, e o resto não sei mais", referiu Vieira.

Novo Banco vai passar a ser acionista da Promovalor

O Novo Banco vai passar a ser acionista da Promovalor a partir de agosto, segundo o jornal ECO. Isto depois de de vencerem os Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) de 160 milhões de euros detidos pelo banco.

“As VMOCs vão ser convertidas em capital da Promovalor, e é por essa via que o banco vai receber tudo”, disse Luís Filipe Vieira. Na prática, e segundo explica a publicação, com as VMOC, os títulos de dívida transformam-se em ações de determinada empresa caso não haja possibilidade de reembolso do empréstimo obrigacionista.

Segundo Vieira, esta operação é necessária para que o Novo Banco possa reaver o dinheiro dos títulos de dívida através das receitas que forem geradas pelo fundo Promoção e Turismo, gerido pela C2 Capital Partners, e que ficou com a dívida contraída pela Promovalor junto do banco, tal como escreve o ECO.

*Com Lusa