Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Como gerir o orçamento familiar num contexto de crise?

Dicas para que os sorrisos continuem em casa, apesar de todas as dificuldades geradas pela pandemia do Covid-19.

Photo by Jonathan Borba on Unsplash
Photo by Jonathan Borba on Unsplash
Autor: Redação

O Covid-19 espalhou-se por todo o mundo e as preocupações são muitas. Além da questão humana imediata, começam também a existir as preocupações com o pós coronavírus. Quais são os impactos socioeconómicos que vão resultar desta crise? Esta é uma das grandes perguntas deste momento. Pois, na verdade, nada vai ser igual! Não há como escapar do impacto financeiro global causado por esta pandemia. O efeito no consumo, na produtividade e, consequentemente, na diminuição das receitas.

Portugal, à semelhança de outros países, praticamente está parado! As empresas estão a meio gás e muitas viram-se mesmo obrigadas a colocar em 'stand-by' a sua atividade. Por outro lado, esta pandemia também nos veio mostrar que é possível viver com níveis de consumo mais baixo, e não falamos da questão do supermercado, falamos dos restantes serviços. Comprar roupa, comer muitas vezes fora ou ter gastos muito elevados nos momentos de lazer.

Perante o presente e o futuro incógnito, e tal como explica o Doutor Finanças neste artigo preparado para o idealista/news, é importante começar a fazer contas e a pensar como podemos gerir o orçamento familiar neste contexto de crise. Embora tenhamos passado por uma crise económica relativamente há pouco tempo, parece que o nosso cérebro já fez 'reset' e se esqueceu de todas as estratégias que foram e continuam a ser necessárias tomar. Por isso, deixamos aqui alguns conselhos chave para gerires da melhor forma a tua carteira hoje e sentires o menor impacto possível no amanhã.

1. Começa a planear o teu orçamento familiar

Quando vais de viagem, à partida, traças um plano, certo? Pois o mesmo deve ser feito com o teu orçamento familiar. Todos os meses, sejam eles em tempo de crise ou não, é importante verificares para onde vai o teu dinheiro. Através de um orçamento familiar consegues perceber quanto é que entra e quanto é que sai, o valor gasto em cada coisa e onde podes cortar. Com base nesse registo mensal podes definir o caminho que queres tomar a seguir. Não ter um plano financeiro é a mesma coisa que ir de viagem e não ter uma rota definida.

Um orçamento familiar vai tornar-te mais consciente das escolhas que fazes e das decisões a tomar. Assim vais conseguir perceber se estás no caminho certo ou se tens que modificar alguma coisa.

Esta é uma dor necessária. E referimos como dor porquê? Porque na maior parte das vezes preferimos não verificar os gastos inconscientes que andamos a fazer. Uma vez que vivemos uma vida de excessos, o planeamento financeiro não vai ser apenas útil para ti. Vai permitir também que tomes decisões de maneira consciente e sustentável, evitando desperdícios.

2. Aproveita para poupar com o que não estás a gastar

A poupança é uma excelente aliada seja em que fase for. Ainda mais quando se avizinham tempo difíceis economicamente. Se por um lado, o isolamento está a fazer com que as receitas sejam gravemente afetadas, por outro lado leva a que os gastos também sejam menores, uma vez que existe restrição de circulação. Logo, vais poupar nas deslocações, nas idas a bares e restaurantes, no consumo de roupa ou noutros artigos prescindíveis. Aproveita e coloca já de lado esse dinheiro para iniciares uma poupança ou para consolidares aquela que já tens

No entanto, relembramos que o facto de passares mais tempo em casa pode levar-te a gastar mais nas contas da água ou da luz, por exemplo. Para contornar isso, apaga a luzes das divisões que estão vazias, não deixes os aparelhos ligados à tomada durante a noite (modo 'stand-by' consome energia) ou após o carregamento completo de baterias.

Prepara-te, porque com a corrida aos supermercados os alimentos também têm tendência a ficar mais caros. Uma vez que é a lei da oferta e da procura.

3. Revê os teus gastos e prioriza

Definir o essencial do dispensável é fundamental numa situação de crise. Neste momento, tens certamente um conjunto de hábitos e serviços que consomem grande fatia do teu orçamento familiar. Uma vez que para poupares e estares preparado para uma possível crise, requer algum sacrifício, é importante que comeces desde já a verificar o que podes dispensar. Verifica se podes dispensar aqueles canais a mais, reduzir os gigas de internet, suspender a subscrição no ginásio e passar a fazer exercício em casa, ou até mesmo verificares se precisas das coberturas de todos os teus seguros.

Enquanto não sabemos o que vai acontecer, este não é o momento de gastos supérfluos ou desnecessários, sejam eles com ou sem promoções. Este é o momento de poupares e de fazeres uma reserva financeira.

Pensa que estes sacríficos não vão durar para sempre...Vão ser apenas necessários para te precaveres e ultrapassares a situação com a maior qualidade de vida possível.

4. Adapta o teu estilo de vida

Adaptar o teu estilo de vida a uma nova realidade é um dos primeiros passos para ultrapassar momentos de maior aperto. Tendo em conta que durante uma crise financeira o teu nível de rendimentos poderá vir a ser menor, então o teu nível de vida também terá que se ajustar, de forma a suportar as despesas fixas que continuarás a ter.

Uma das principais medidas a adotar é reduzir alguns gastos que identifiques como desnecessários. Outra possível medida será substituir hábitos mais caros por outros que sejam mais em conta.

Não é necessário que tenhas de cortar no lazer, mas sim adaptar. A comunicação, especialmente se tiveres filhos, é importante para que estes percebam que certas atividades a que estavam habituados, poderão ter que sofrer algumas alterações no futuro.

5. Negoceia tudo aquilo que conseguires negociar

Na vida quase tudo é negociável. Assim, se tiver contratos que sabes que não vais conseguir suportar, chegou a altura de contactar a outra parte e propor alterações. Talvez reduzir o serviço ou mesmo eliminá-lo.

Por exemplo, se tiveres créditos, tens aqui uma grande oportunidade de poupar (e muito!). A consolidação dos créditos é um produto financeiro que permite juntar todos os créditos num só, com uma prestação mais baixa e melhores condições.

6. Evita assumir novas dívidas

Em períodos em que o futuro é incerto, é prudente não só evitares gastos desnecessários como também não assumires novas dívidas. Quando falamos em novas dívidas também nos referimos aos créditos. É importante que vivas de acordo com aquilo que podes efetivamente comprar. Se precisares mesmo recorrer a um crédito, simula, pede ajuda, mas garante que escolhes sempre aquele com as melhores condições para ti.

7. Investir não é poupar

Por norma, quem investe o dinheiro em produtos financeiros procura maiores retornos e render com esse dinheiro investido. No entanto, investir dinheiro implica sempre que tenhamos consciência tanto do que podemos ganhar, como aquilo que podemos perder.

Antes de fazeres qualquer tipo de investimento, deves fazer contas e garantir que deixas outro dinheiro de reserva para imprevistos e para uma possível crise económica. Isto porque se quiseres resgatar o dinheiro antes do tempo, tens que considerar possíveis penalizações associadas ao resgaste, perda dos ganhos ou até mesmo a perda total do capital investido.

Por isso, a função da poupança é garantir que podes mexer no dinheiro em qualquer momento, sem perderes nada com isso.

8. Se tiveres um PPR, conta com ele

O PPR (Plano Poupança Reforma) é uma exceção dentro dos investimentos. Se já passaram cinco anos após a tua primeira entrega, já podes exigir o reembolso da totalidade do teu PPR, se o montante das entregas efetuadas na primeira metade da vigência do contrato representar, pelo menos, 35% da totalidade das entregas. Para além do reembolso deste produto na reforma, o PPR também pode ser reembolsado em caso de desemprego do seu titular ou de qualquer um dos membros do seu agregado familiar.

Também podes pedir a antecipação do capital do teu PPR se te deparares com uma incapacidade permanente para o trabalho ou existir a presença de alguma doença grave. Isto aplica-se a ti ou a qualquer um dos membros do teu agregado. O mesmo é válido se precisares fazer face às despesas relativas a um curso do ensino profissional ou do ensino superior, teu ou de qualquer um dos membros do teu agregado familiar.

Sendo estes cenários possíveis para algumas famílias, já sabe que, se precisar, pode recorrer ao seu PPR durante esta pandemia do Covid-19.

9. Analisa as condições do teu crédito habitação

Por norma, a maior fatia do orçamento familiar vai para o crédito habitação. Por isso, é importante analisares se tens as melhores condições ou se podes transferi-lo e poupar assim muito dinheiro ao final do mês. Neste momento, onde já é possível conseguir taxas ou spreads de 1%, a transferência de um crédito habitação pode resultar numa poupança de milhares de euros no final do contrato.

10. Já estás endividado? Renegocia os teus créditos

Se tens dificuldade em pagar os teus créditos e sentes que podem vir a comprometer as tuas finanças, então a solução pode passar pela negociação dos mesmo. Recorre a ferramentas de negociação disponíveis online, para renegociares prazos, taxas e a obteres as melhores condições junto das entidades credoras.