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Imobiliário, o 'rei' do pleno emprego em Portugal - mas até quando?

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Autor: Redação

"6.976 vagas de trabalho disponíveis de Imobiliário para encontrar a oferta de trabalho"... podia ler-se esta manhã ao entrar num motor de busca de emprego em Portugal. É apenas um sinal do forte dinamismo que vive o setor a nível da criação de emprego. No total, há perto de 50 mil pessoas a trabalhar no ramo imobiliário, mais 22 mil que há quatro anos, e os anúncios continuam a proliferar - o imobiliário é, aliás, a atividade que mais ofertas de trabalho está a gerar nos centros de emprego (2,2% mais que há um ano).

Em plena euforia do mercado, e no rescaldo de um país em crise com o desemprego em alta, o imobiliário ajudado pelo setor do turismo tem vindo a ser a porta de saída para muitos profissionais, sendo atualmente o setor mais ativo na criação de emprego em Portugal, tal como confirmam os dados mais recentes do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP). 

Em 2018, o setor das atividades imobiliárias foi mesmo um dos que mais contribuiu para o aumento da taxa de população empregada em termos globais em Portugal, com 48,3 mil pessoas em 2018, mais 12,2% que em 2017. 

Mais de um quinto das ofertas de trabalho nacionais

Em julho os centros de emprego registaram 2252 ofertas de emprego na área das “atividades imobiliárias, administrativas e serviços de apoio”. O equivalente a 21% do total das ofertas de trabalho no setor dos serviços. Face ao mês anterior o aumento foi de 11%.

Os números não surpreendem o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP). Segundo Luís Lima, citado pelo Dinheiro Vivo, “nos últimos anos parece que todos os portugueses se transformaram em agentes imobiliários. Há muita gente de outras profissões a enveredar por esta área", sustentando que, no período de quatro anos, o número de pessoas empregadas no setor imobiliário em Portugal cresceu perto de 80%.

Motor do emprego a todo o gás pode gripar em breve

Luís Lima fala de um cenário de “quase pleno emprego”, nomeadamente nas atividades mais ligadas à construção, que estão englobadas nas contas da APEMIP. “E essas são ofertas diretas de trabalho, porque depois há o emprego indireto que o setor cria”, destaca o porta-voz dos mediadores, argumentando que “um euro investido em imobiliário é multiplicado por quatro, seja na restauração, na saúde e até na educação”, ressalva.

Mas Luís Lima mostra reservas quanto à sustentabilidade deste momento de “quase pleno emprego” nas declarações ao DV.

A abertura em massa de agências de mediação imobiliária - no ano passado estavam licenciadas em Portugal perto de 6300, mais 72% do que em 2014 - é um dos temas que preocupa o responsável. “Nos últimos anos abriram muitas imobiliárias. Tenho defendido que tem de haver algum controlo sobre o setor, porque há muitas empresas que são mesmo imobiliárias, mas também há várias que se apresentam como consultoras, e isso não são imobiliárias. São concorrência desleal”. 

Mais gente a vender casas do que casas para vender?

Por outro lado, a falta de oferta de casas no mercado “ao preço que os portugueses possam comprar” pode ser um problema já a partir de 2020, devido “á falta de ligação entre a oferta e a procura” de casas. “Acho que não vai haver espaço para tanta gente”, antecipa o líder da APEMIP.

“No médio/alto haverá bastante oferta nos próximos dois ou três anos, porque é onde se está a construir mais. No mercado médio/baixo é o contrário, há uma procura grande, uma necessidade grande, mas não há oferta”.

“Demasiada gente” a vender casas de luxo Luís Lima acredita que o pico de vendas do mercado de luxo já terá passado, e que o futuro do setor está nas mãos “de quem construir nos próximos 10 anos para a classe média/baixa”. E entre os profissionais do setor “há demasiada gente dedicada ao mercado médio/alto”, conclui.

Segundo dados do INE, citados pelo jornal, o ganho mensal bruto total de um trabalhador da área imobiliária em março deste ano rondava os 977 euros, mais 3,5% face ao mesmo mês do ano anterior. A isto acrescem as comissões - em geral, a grande fatia de rendimentos dos profissionais do setor, em termos cumulativos. 

“Há muitos vendedores e consultores que não têm salário fixo, mas se estão no mercado é porque lhes compensa e tiram boas rentabilidades”, remata Luís Lima.