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Novo Banco garante que "não vende imóveis com desconto"

Banco argumenta que polémicos valores de vendas resultam do "efeito da diferença entre o preço de mercado e o valor de avaliações".

Photo by Fulvio Ambrosanio on Unsplash
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Autor: Redação

O Novo Banco - confirmando que a sua estratégia passa por "reduzir de forma eficaz o excesso de imóveis que havia herdado do passado" e revelando que "continuará a procurar reduzir a sua carteira de imóveis não afetos à exploração conforme as exigências regulatórias" - assegura em comunicado que "não vende imóveis com desconto" e garante que as "vendas são todas sujeitas aos direitos de preferência em vigor em Portugal e previamente inseridas no portal Casa Pronta para esse efeito". Esclarece ainda sobre o método que utiliza para calcular os preços de venda dos ativos imobiliários.

Entre dezembro de 2017 e dezembro de 2019, o Novo Banco afirma ter reduzido a sua carteira de imóveis em 56% e atualmente tem registado em balanço 1,1 mil milhões de euros de imóveis. "Seguiram-se os preceitos previstos na legislação bancária nacional e adicionalmente cumpriu-se assim o Compromisso 12 acordado entre a Comissão Europeia e o Estado Português", assegura o banco liderado por António Ramalho, numa nota enviada às redações este fim de semana.

Para reduzir de forma eficaz o excesso de imóveis que havia herdado do passado, o banco - que resultou do antigo BES - diz ter lançado "dois concursos internacionais abertos e transparentes para vender duas carteiras de imóveis a que chamou Viriato e Sertorius".

As polémicas vendas de imóveis do Novo Banco

No Viriato 47% da carteira eram imóveis residenciais e os restantes, terrenos, industriais ou comerciais sem uso. Foram contactados 48 investidores, recebidas 7 propostas, selecionadas as duas propostas mais altas para uma negociação final ganha pela Anchorage Capital Group, L.L.C.. "A venda foi aprovada nos órgão estatutários do Banco e para 17% da venda que estava protegida pelo Mecanismo de capital Contingente obtida a autorização do Fundo de Resolução", informa o Novo Banco, no comunicado, recordando que esta carteira de imóveis foi vendida por 364 milhões de euros.

No Sertorius, 13% da carteira eram imóveis residenciais, 6% hotelaria e o restante terrenos, industriais ou comerciais sem uso. Foram contactados 48 investidores, recebidas 5 propostas, selecionados 3 investidores dos quais dois estiveram na negociação final ganha pela Cerberus Group. "A venda foi aprovada nos órgão estatutários do banco e para 20% da venda que estava protegida pelo Mecanismo de Capital Contingente obtido a autorização do Fundo de Resolução", aponta a instituição", dando nota de que esta carteira de imóveis foi vendida por 159 milhões de euros.

Assim "o montante de 523 milhões de euros foi o preço de mercado obtido para estes imóveis através de concursos internacionais, transparentes e abertos", indica o Novo Banco, argumentando que "a diferença quanto ao valor de avaliação no balanço destes imoveis, que sempre pode existir, não é um desconto, é o efeito da diferença entre o preço de mercado e o valor de avaliações que seguem o método de custo ou que assumem diferentes estimativas de capacidade construtiva"