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Venda de imóveis de 265 milhões do ex-BPN travada pelas Finanças

Parvalorem recebeu instruções para suspender a alienação da carteira de ativos imobiliários e da sociedade gestora Imofundos.

Photo by Bethany Legg on Unsplash
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Autor: Redação

A venda do Projeto Miraflores - carteira de imóveis que tinha sido recentemente colocada no mercado pela Parvalorem - está temporalmente suspensa por instruções do Ministério das Finanças. Em causa está um património avaliado por peritos independentes em 265 milhões de euros, valor que contempla dezenas de imóveis, a maioria comerciais (escritórios, lojas e logística), mas também de habitação, e grande parte deles situados em Lisboa e no Porto.

A decisão de mandar suspender, ainda que com carácter temporário, a venda dos ativos, um pacote que inclui não só imóveis, mas também a própria sociedade gestora Imofundos, partiu do secretário de Estado das Finanças, João Nuno Mendes, e chegou à sociedade criada para gerir os ativos tóxicos herdados do antigo BPN, nos últimos dias, segundo escreve o Público, que avança com a notícia.

O Ministérios das Finanças escusou-se a comentar, segundo diz o diário. Já a Parvalorem, citada pelo mesmo meio, explicou que a sua “missão, e das restantes empresas PAR, é a maximização da recuperação dos ativos resultantes da nacionalização do BPN.” E que, “nesse âmbito, e em consonância com o plano estratégico, tem vindo a ser estudada a possibilidade de alienação dos principais fundos sob gestão”. “Assim, procurando percecionar uma reação a uma potencial transacção, iniciou-se recentemente um processo de auscultação do mercado (Market Sounding)”, acrescentou, adiantando que “perante a evolução da situação internacional, inerente à pandemia covid-19, não se procedeu ainda ao lançamento da operação no mercado”.

Projeto Miraflores intermediado pela Alantra

Em 2017, e tal como recupera ainda o jornal, a anterior gestão da Parvalorem, encabeçada por Francisco Nogueira Leite, foi visada numa auditoria realizada pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que analisou as operações de venda de crédito malparado. E as conclusões apontaram para “falhas processuais” que impediram uma rigorosa “avaliação e a fundamentação” das decisões, tomadas de forma subjetiva, levando a autoridade a questionar a razão das “anulações/perdões de dívidas” decididos pela Parvalorem e “indevidamente documentados”.

A 10 de Agosto, o jornal online ECO avançou que a Parvalorem tinha contratado a sociedade gestora espanhola Alantra para vender os bens do Projeto Miraflores, que chegam ao mercado empacotados. Este é negócio dos fundos de private equity, que adquirem carteiras com grande desconto, para depois venderem a retalho os imóveis, assegurando taxas de rentabilidade altas. Em Portugal, recorda o Público, a Alantra é representada por Ana Rita Barosa, a ex-assessora de Ricardo Salgado, que é visada no processo ES Enterprise, o saco azul do GES.

A par do Projeto Miraflores, também segundo o ECO, citado pelo diário, a Parvalorem tenta vender a Imofundos, sociedade que tem como presidente Filipe Sousa, também ele ex-quadro do BES, e vogal do Conselho de Administração da sociedade chefiada por Sofia Torres.