O conselho de administração do idealista, o marketplace imobiliário líder em Espanha, Itália e Portugal, decidiu não avançar com a aquisição da Portal47 Ltd – a sociedade gestora do portal Kyero, um website para compradores que procuram propriedades em Espanha, França, Itália e Portugal. O anúncio da compra foi feito há quase um ano, em dezembro de 2024, e estava pendente da aprovação por parte das autoridades da concorrência em Espanha e em Portugal.
A decisão da Autoridade da Concorrência portuguesa (AdC) de levar a operação, notificada 'ad cautelam', a uma segunda fase apesar da escassa presença do portal Kyero nesse mercado, provocou um atraso material no fecho da operação, o que prejudicou os interesses do idealista, tendo levado a empresa a renunciar a esta aquisição.
“Não descartamos que a AdC possa ter querido aproveitar a compra de um portal mais pequeno para pronunciar-se sobre a atividade do idealista no futuro”, afirmou um porta-voz da empresa, que acrescentou que a gestão deste processo pela AdC e o seu abrupto desfecho lança uma mensagem desalentadora para o crescimento das empresas tecnológicas europeias. “Por vezes, a rigidez das autoridades da concorrência da UE acaba por favorecer o crescimento de empresas não europeias na Europa à custa das empresas tecnológicas nascidas no seio da UE.”
A empresa pede ainda uma reflexão sobre a hiper-regulação na Europa: “Não parece razoável que, aspirando a um mercado único europeu que concorra com outros mercados globais, existam 52 autoridades da concorrência a nível nacional e regional. Por exemplo, nos EUA há apenas duas autoridades competentes: a FTC (Federal Trade Commission) e o DOJ (Department of Justice).”
Mario Draghi, ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente do Banco Central Europeu, no seu relatório sobre o futuro da competitividade europeia, há apenas um ano, salientou que a fragmentação regulatória na Europa, a lentidão dos processos de autorização e a falta de escala no mercado único dificultam que as empresas europeias possam competir com gigantes norte-americanos e asiáticos. Além disso, sublinhou a necessidade de rever a política da UE para permitir a criação de campeões europeus, especialmente em setores estratégicos como o tecnológico. “Infelizmente, Draghi acertou no seu diagnóstico e não há um futuro otimista para o setor tecnológico europeu”, assinalam no idealista.
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