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Construtores cobram o dobro para reconstruir casas devastadas pelo incêndio de Pedrogão

Gtres
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Autor: Redação

As obras já arrancaram para tentar devolver a vida às casas destruídas pelo grande incêndio que devastou Pedrogão. Mas o custo destas intervenções está a levantar polémica. Algumas das principais entidades promotoras da reconstrução das habitações na zona estão surpreendidas com o aumento dos preços cobrados pelos empreiteiros da região e dizem que há casos em que o valor duplicou. 

“Antes do fogo, os preços rondavam os 500 euros por metro quadrado (m2), agora não se encontra nenhum empreiteiro local que aceite fazer uma obra por menos de 750 euros e alguns pedem até 950 euros por metro quadrado”, explica ao Expresso uma fonte que pediu para não ser identificada. Avançou ainda que os valores praticados são comuns aos construtores, concluindo mesmo que “parece estar tudo combinado”.

Já um dos empreiteiros da região, ouvidos pelo jornal, discorda da conclusão de que os preços foram inflacionados. “Os preços que estão a ser praticados são normais. Se calhar, aumentaram um bocadinho, mas, feitas todas as contas, ao detalhe, deve andar tudo na mesma”, garante João Antunes. O empreiteiro explica ainda que, com a crise, os preços tinham estagnado e que, antes do incêndio, eram praticados valores de há uma década, “o que fez com que muitas empresas tivessem ido à falência”. E agora, com a maior procura, terão sofrido ajustamentos.

A outra queixa sobre o processo de reconstrução, relatada pelo semanário, tem a ver com a falta de mão de obra disponível na zona. Já há entidades promotoras a procurarem recursos humanos nas zonas limítrofes, mas, explicam, “não é fácil porque áreas como a Sertã também foram afetadas e também têm as suas reconstruções para avançar e, por isso, não há trabalhadores disponíveis”. Uma fonte contactada pelo Expresso, que também pediu anonimato, refere a necessidade de dar seguimento às obras, “alimentando a economia local e empregando pessoas da região, sem que esse objetivo coloque em causa a reconstrução”.

O último balanço, citado pelo Expresso, aponta para que estejam concluídas 18 habitações, estejam a avançar obras em 26 casas e 14 intervenções vão arrancar a muito curto prazo. A estas, seguir-se-ão mais 15 habitações.