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Antigo "barão" da construção em Portugal está insolvente e a viver fora do país

Diogo Vaz Guedes foi presidente executivo da construtora Somague e sócio de António Mexia no projeto hoteleiro Aquapura.

Aquapura
Aquapura
Autor: Redação

Diogo Vaz Guedes foi um dos gestores mais proeminentes em Portugal, na década passada, destacando-se pela liderança na Somague, mas também pela investida no negócio hoteleiro. Além disso, assumia protagonismo no espaço público: em 2004 foi um dos rostos de apoio ao movimento Compromisso Portugal, ao lado de gestores como António Mexia, Filipe de Botton, Alexandre Relvas e António Carrapatoso. Hoje, está oficialmente insolvente e a viver fora do país.

Esta segunda-feira, e segundo avança o Expresso, arrancou formalmente o período de cinco anos em que Vaz Guedes terá os seus rendimentos indexados ao salário mínimo nacional, período ao fim do qual terá um perdão total dos montantes que ainda tenha em dívida no seu processo de insolvência.

O despacho inicial do incidente de exoneração de passivo do empresário, no âmbito do processo de insolvência que começou em 2017 no Tribunal da Comarca de Lisboa-Oeste (Sintra) - depois de em 2018 ter sido declarada a insolvência do empresário, a quem a banca (Novo Banco e BCP como maiores credores) tentava cobrar 67 milhões de euros, na sua maior parte por garantias pessoais que Vaz Guedes tinha dado no âmbito de financiamentos a empresas suas, nomeadamente a Gespura e a Stravaganza - foi publicado ontem no portal Citius, detalha o jornal.

"Não sou residente em Portugal, passo a maior parte do tempo fora", disse Vaz Guedes ao mesmo meio, depois de afirmar que ainda não tinha tido conhecimento do despacho agora publicado no portal Citius.

O documento oficial, que reconhece como endereço de Vaz Guedes uma morada na Quinta Patiño, em Cascais, determina várias obrigações que o empresário terá de cumprir nos próximos cinco anos para ter direito depois ao perdão total do que esteja em dívida, entre a quais "não ocultar ou dissimular quaisquer rendimentos que aufira", bem como "exercer uma profissão remunerada" e informar o tribunal e o fiduciário sempre que mude de morada ou de trabalho.

Virado para a área da energia 

A Somague, construtora fundada por um tio seu no século anterior foi comprada pela espanhola Sacyr em 2003, mas Vaz Guedes permaneceu na empresa até 2007. Foi nesse ano, tal como recorda o jornal, que o empresário se lançou no negócio hoteleiro, criando a Gespura.

Atraiu como sócios minoritários António Mexia (já então presidente executivo da EDP) e Miguel Simões de Almeida. O objetivo era criar uma rede de hotéis de luxo com a marca Aquapura. Alguns projetos chegaram a avançar, como o Aquapura Douro Valley, que em 2013 entraria num processo de revitalização, sendo entregue a um fundo de recuperação da Explorer.

Em 2017, quando a banca forçou a sua insolvência pessoal, Diogo Vaz Guedes já estava a trabalhar fora do país. Virou-se para Moçambique, através da empresa de projetos energéticos Kuikila Investments, remata o Expresso.