Os primeiros cinco meses deste ano registaram um aumento no número de insolvências em Portugal (+2,7%), passando de 930 no mesmo período de 2025 para 955 processos.
A criação de empresas em Portugal caiu 4,6% nos primeiros quatro meses do ano, mas a construção destacou-se como um dos poucos setores em contraciclo e a sustentar o dinamismo da atividade empresarial. Segundo o Barómetro da Informa D&B, entre janeiro e abril foram constituídas 19.503 novas empresas, menos 944 do que no mesmo período do ano passado.
O complexo industrial da Marbrito – Indústrias Reunidas de Mármores (Marbrito), localizado em Vila Viçosa, está à venda em leilão eletrónico até dia 28 de maio de 2026 no âmbito do processo de insolvência desta sociedade, fundada em 1982. A unidade industrial completa, incluindo o imóvel e os equipamentos, tem um valor base total de 4,9 milhões de euros.
As instalações da antiga gráfica Sogapal, localizada em Queluz de Baixo, Barcarena, concelho de Oeiras, têm novo dono. A Câmara Municipal de Oeiras comprou o ativo, em leilão, por 4,95 milhões de euros. A Sogapal, recorde-se, foi decretada insolvente em 2021 a pedido do Novo Banco.
A Impalagest, empresa-mãe do grupo Impala, dono de publicações como Maria, Nova Gente e TV 7 Dias, foi declarada insolvente no verão de 2004, tendo o seu edifício-sede, situado em Ranholas, Sintra, sido vendido em leilão online por oito milhões de euros – foi colocado no mercado com o valor base fixado em 9,25 milhões de euros e o mínimo em 7.862.500 euros. O novo proprietário é a Yael Foundation, organização filantrópica internacional dedicada a apoiar e expandir a educação judaica em todo o mundo, que ali quer criar um colégio judaico.
A construtora Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, conhecida no mercado como Lucios, encerrou atividade após acumular dívidas de 51,3 milhões de euros a 1.223 credores, deixando 68 trabalhadores desempregados. A empresa, com sede em Vila do Conde, destacou-se em obras como a reabilitação do Pavilhão Rosa Mota – Super Bock Arena e do Mercado do Bolhão, mas não resistiu às dificuldades financeiras agravadas pela pandemia e pelo aumento das taxas de juro.
O edifício da sede da Associação Comercial do Distrito de Évora (ACDE), que foi decretada insolvente pelo tribunal em julho do ano passado, a apenas duas semanas de comemorar o seu 135º aniversário, está à venda em leilão eletrónico, com o valor mínimo fixado em 1.148.400 euros.
Este é um processo que se arrasta há vários anos, envolvendo a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a empresa falida Birchview. Em causa está um empreendimento imobiliário localizado no Algarve, denominado "The Keys", que é responsável por um buraco nas contas do banco público na ordem dos 300 milhões de euros, sendo a Birchview um dos seus maiores devedores. A CGD apenas conseguiu recuperar, até à data, menos de metade do montante emprestado.
O Novo Banco e o Banco Montepio vão sofrer perdas de cerca de 65 milhões de euros com a insolvência do fundo imobiliário Invesfundo II, criado há 20 anos com o construtor José Guilherme. A venda do Parque Marconi, considerado a “joia da coroa” do fundo, rendeu apenas 40 milhões de euros – metade do valor registado nas contas do fundo – deixando os dois bancos longe de recuperar os montantes investidos.
Está a decorrer até dia 31 de outubro de 2025 o leilão eletrónico da insolvente Cooperativa Agrícola da Vidigueira CRL, organizado pela LEILOSOC Worldwide. O edifício que se encontra em leilão tem uma área total de 1.005,90 metros quadrados (m2), uma área bruta privativa de 941,17 m2 e uma área de implantação de 658,2 m2 e pode ser adquirido por um valor mínimo de 240.000 euros, tendo um valor base de 282.400 euros. O seu principal propósito são serviços, existindo 30 compartimentos para esse fim.
A venda da fábrica da Tupperware em Portugal arranca neste mês de outubro. Trata-se de um imóvel localizado em Montalvo, no município de Constância, que foi avaliado em 5,5 milhões de euros, sendo que o valor não abrange os bens móveis, pelo que o montante total da unidade, entre edifício e equipamentos, poderá rondar os 10 milhões de euros.
O grupo Vipa, liderado por Pedro Paixão, assegurou a compra do principal ativo imobiliário da construtora madeirense Multimade, que faliu em 2023 deixando cerca de 100 trabalhadores no desemprego. A aquisição, concluída no passado dia 10 de setembro, representa um investimento de 600 mil euros e poderá transformar um espaço abandonado em polo estratégico para a economia regional.
O grupo Casa Piocheur, conhecido pelo letreiro verde “Casa”, encerrou definitivamente as 13 lojas que operava em Portugal. A decisão foi tomada a 12 de setembro pelo Tribunal Judicial de Sintra, um dia após a realização da assembleia de credores. Mais de 30 trabalhadores foram afetados pelo encerramento, uma consequência direta da incapacidade da empresa em encontrar investidores que recuperassem o negócio.
O mercado imobiliário tem revelado um “grande dinamismo” no país para dar resposta à falta de casas e à crescente procura por imóveis, sobretudo, para comprar.
A sede da ex-Soares da Costa, conhecida como “Estaleiro Norte”, em Vila Nova de Gaia, mudou finalmente de mãos após uma batalha judicial que opôs o inquilino ACA à VGP, subsidiária portuguesa do grupo belga detentor de parques logísticos na Europa. O imóvel, que serviu como sede da construtora falida, foi adjudicado à VGP por 6,66 milhões de euros, valor já pago à massa falida, mas apenas após clarificação judicial sobre o direito de preferência do arrendatário.
A Imobiliária Construtora Grão-Pará, S.A., uma histórica empresa portuguesa do setor imobiliário, formalizou, no dia 22 de agosto de 2025, o seu pedido de insolvência junto do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, Juízo de Comércio. A decisão surgiu após a empresa ter acumulado resultados negativos, nos últimos 15 anos.
A viúva e as três filhas do empresário Ricardo Oliveira, conhecido como o milionário do Banco Português de Negócios (BPN) – morreu em junho de 2023 –, chegaram a acordo com a Parvalorem, entidade pública que gere os ativos tóxicos do antigo banco, para pagar uma dívida de 2,25 milhões de euros. Os bens dados como penhor são um Mercedes-Benz de 1938, avaliado em mais de um milhão de euros, e um imóvel situado na freguesia lisboeta de Campo de Ourique, avaliado em 1,25 milhões de euros.
O edifício-sede do Grupo Impala, dono de revistas como a Maria, a Nova Gente e a TV 7 Dias, vai a leilão por mais de nove milhões de euros, na sequência de um processo de insolvência. Trata-se de um imóvel localizado na zona de Ranholas (Sintra), junto à IC19. Os interessados podem fazer licitações até dia 30 de setembro, sendo que o leilão eletrónico decorre na plataforma de leilões Leilosoc® Worldwide.
A fábrica de mobiliário Kiune, empresa que está insolvente e encerrou portas em fevereiro em Torres Vedras, no distrito de Lisboa, foi vendida em leilão por 1,6 milhões de euros, disse esta segunda-feira (21 de julho de 2025) o administrador de insolvência.
A atividade empresarial em Portugal parece estar de boa saúde para o imobiliário e construção, tendo registado das maiores subidas anuais na constituição de novas empresas nos primeiros seis meses de 2025.
No início dos anos 2000, Lisboa assistiu à reabilitação profunda do Campo Pequeno, que passou a funcionar enquanto sala de espetáculos e centro comercial. Mas a sociedade que levou a cabo estas obras acabou por falir anos mais tarde, deixando uma dívida de quase 100 milhões de euros.
A venda de imóveis em processos de insolvência segue regras específicas, sendo geralmente realizada através de leilão eletrónico. Quando uma empresa ou particular entra em insolvência, o património do devedor é administrado por um Administrador de Insolvência, que gere a liquidação dos bens.
A indústria gráfica Printer Portuguesa, que foi fundada há 40 anos e comprada em 2012 pelo empresário angolano Álvaro Sobrinho, cujos bens e contas bancárias tinham sido arrestadas em Portugal no ano anterior, foi declarada insolvente este ano, tendo sido vendida em leilão por 10,25 milhões de euros. O comprador é um grupo de origem chinesa, para já ainda desconhecido.
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