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Resort de luxo do caso Sócrates: Vale do Lobo deve cerca de 300 milhões de euros à CGD

Vista panorâmica do empreendimento Vale do Lobo (foto: Valedolobo.com).
Autor: Redação

O empreendimento turístico de Vale de Lobo, no Algarve, deve à Caixa Geral de Depósitos (CGD) cerca de 300 milhões de euros, após este ter atribuído à empresa que gere aquele resort 12 empréstimos, entre dezembro de 2006 e junho de 2010, no valor global de 249 milhões de euros. No verão, todos os créditos estavam em atraso.

Segundo o Público, os incumprimentos e os juros terão feito a dívida crescer até aos 300 milhões de euros, o que significa que ao longo dos últimos nove anos, não foi amortizado qualquer capital.

Cinco desses empréstimos, no valor de mais de 216 milhões de euros, foram atribuídos pela CGD, numa altura em que o ex-ministro socialista Armando Vara era administrador do banco estatal. O principal crédito, de 194 milhões de euros, está a ser investigado no processo conhecido como Operação Marquês, que já levou à detenção – e posterior libertação – do ex-primeiro-ministro José Sócrates.

A informação do valor da dívida e dos empréstimos concedidos pela CGD faz parte de uma informação da Autoridade Tributária, datada de julho deste ano e assinada pelo inspetor Paulo Silva, que chefia a equipa que apoia o procurador Rosário Teixeira naquele inquérito.

De acordo com a publicação, Armando Vara é suspeito de corrupção passiva neste processo por ter alegadamente recebido um milhão de euros para favorecer o empreendimento de Vale de Lobo nas condições do empréstimo, nomeadamente na diminuição da taxa de juro, no corte dos custos processuais e no aligeirar das garantias. O Ministério Público considera ainda que Vara teve um “apoio determinante” no facto da CGD ter “tomado a iniciativa de subscrever 25% do capital social das sociedades que detinham o empreendimento Vale de Lobo, o que significou uma diminuição do esforço de financiamento em mais de 30 milhões de euros, com o assumir integral do risco por parte da CGD”.