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Bava mantém nas suas contas 6,7 milhões de euros do “saco azul do GES”

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Autor: Redação

O antigo presidente executivo da PT, Zeinal Bava, recebeu 25,2 milhões de euros da ES Enterprises, dos quais devolveu apenas 18,5 milhões. O gestor, que mantém 6,7 milhões de euros nas suas contas, disse ao Ministério Público que foi só um empréstimo e está disposto a devolver tudo. Estas revelações saíram do interrogatório judicial a Bava, no âmbito da Operação Marquês, realizado em fevereiro passado.

As transferências dos antigos donos do BES para as contas do ex-CEO da PT são reveladas pela Sábado, que publicou esta quinta-feira o essencial do interrogatório do Ministério Público.

E resumem-se desta forma: 6,7 milhões em dezembro de 2007 (a OPA da Sonae à PT fracassou meses antes), 8,5 milhões em janeiro 2011 e 10 milhões em setembro de 2011 (a venda da Vivo e compra da Oi concluíram-se no verão de 2010). Total: 25,2 milhões de euros. No interrogatório, Bava nega as suspeitas e diz que esse dinheiro nunca foi um pagamento mas sim uma operação fiduciária, repetindo o que afirmou ao Expresso há cerca de um ano: um empréstimo para compra de ações da PT, transação que não chegou a fazer, num acordo confidencial que só veio a ser assinado em papel anos depois, quando já as investigações à Operação Marquês se estendiam à PT.

Bava é arguido por crimes de corrupção passiva para ato contrário aos deveres do cargo, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada. Ou seja, é suspeito de ter recebido “luvas” para tomar decisões prejudiciais à Portugal Telecom, que geria, dinheiro esse que foi canalizado através de três transferências da ES Enterprises, o chamado “saco azul do GES”, para offshores de Bava com contas na Suíça e em Singapura.

Como contrapartida, segundo a tese do Ministério Público citada pela revista, Bava não só aprovou ao longo de anos financiamentos da PT ao Grupo Espírito Santo, prejudiciais à empresa que geria e benéficos para o GES, como ajudou o BES a lucrar centenas de milhões de euros nos negócio da OPA da Sonae à PT, na cisão posterior entre a PT e PT Multimédia (atual NOS), na venda da Vivo e na compra da Oi.

Nestes dois últimos negócios foi ainda determinante a intervenção do Governo Sócrates, que ativou e depois desativou a “golden share”.

Tudo isto entronca na tese da investigação de que Ricardo Salgado terá subornado Sócrates, Bava e Henrique Granadeiro para conseguir ganhar em todas aquelas operações. É por isso que a “Sábado” trata, em título, Zeinal Bava como “a marioneta de Salgado”.

Bava, que aderiu em 2012 a um programa de amnistia fiscal em que revelou ter mais de 11,5 milhões não declarados fora de Portugal, devolveria 18,5 milhões (à massa falida do GES). Mas não a “tranche” de 6,7 milhões, o que diz não ter feito ainda por falta de segurança jurídica. Assim, esse dinheiro está na posse de Bava desde 2007. Há dez anos numa conta em Singapura.

Sobre Sócrates, Bava é evasivo, afirmando que não falava com o então primeiro-ministro. O ex-presidente da PT conta apenas um encontro em São Bento com Sócrates e Pedro Silva Pereira em que estava também Granadeiro e, diz, em que pouco interveio. Nessa reunião, diz Bava, o primeiro-ministro comunica-lhe que ativará a “golden share” para impedir a venda da Vivo, o que o deixou estarrecido, concluiu.