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Teixeira Duarte passa de lucros a prejuízos devido à pandemia e desvalorização cambial

Construtora portuguesa registou perdas de 5,4 milhões de euros no primeiro semestre do ano. Crescimento da atividade imobiliária evitou resultados piores.

Photo by Ricardo Gomez Angel on Unsplash
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Autor: Redação

A conjugação de vários fatores - retração da economia afetada pela situação de pandemia da Covid-19 aliada à desvalorização do kwanza angolano e do real brasileiro - fez com que a Teixeira Duarte fechasse o primeiro semestre de 2020 com prejuízos de 5,4 milhões de euros no primeiro semestre do ano, valor que contrasta com os lucros de 12,2 milhões de euros de lucro registados no mesmo período de 2019. 

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a construtora de origem portuguesa e forte presença internacional informa que os "resultados líquidos atribuíveis a detentores de capital" foram "negativos em 5,4 milhões de euros". Se forem incluídos os interesses não controlados, o prejuízo supera os 5,6 milhões de euros no primeiro semestre, o que compara com os 10,8 milhões de euros do mesmo período do ano passado, incluindo a inclusão da rubrica.

Já os proveitos operacionais do grupo atingiram os 367,7 milhões de euros no primeiro semestre, contra os 489,8 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado.

"Os proveitos operacionais atingiram 367.703 milhares de euros, correspondendo a um decréscimo de 24,9% face ao período homólogo, resultante da retração da economia afetada pela situação de pandemia covid-19, bem como da desvalorização do kwanza angolano e do real brasileiro", pode ler-se no relatório e contas da empresa.

Já o volume de negócios foi gerado na maioria pelo mercado externo (67,4%) e atingiu os 318 milhões de euros, tendo assim sofrido uma quebra de diminuição de 27,7% no total de volume face ao mesmo período de 2019 (menos 121,8 milhões de euros).

O EBITDA (rendimentos antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), por sua vez, foi de 44,1 milhões de euros, de acordo com o comunicado pela Teixeira Duarte à CMVM.

Em termos de custos operacionais, estes diminuíram no primeiro semestre de 2020 face ao de 2019, tendo passado de 411,9 milhões de euros no ano passado para 323,5 este ano.

"Numa análise global, pode-se concluir que a redução efetiva da atividade é de 13,7%, da qual mais de metade é resultante do decréscimo verificado na Argélia", de acordo com a Teixeira Duarte.

Imobiliário salva grupo de perdas maiores

Segundo o relatório e contas, em Portugal "o grupo conseguiu crescer, alcançando 139.310 milhares de euros, o que se traduz num aumento global de 5.479 milhares de euros, com o crescimento da Imobiliária a compensar o forte impacto negativo que a situação de pandemia covid-19 teve no setor hoteleiro".

No entanto, "em Angola, atingiram-se 76.281 milhares de euros, sendo que este número traduz uma redução de 53.506 milhares de euros dos quais 38.673 milhares de euros são resultantes da desvalorização do kwanza angolano", assegurando o grupo que se não se tivesse verificado a desvalorização, "a redução de 41,2% teria sido de 11,4%".

"Na Argélia, onde o grupo atua essencialmente no setor da construção de obras públicas, a difícil conjuntura económica foi ainda agravada com a situação mundial de pandemia covid-19, tendo o grupo atingido 22.506 milhares de euros, o que reflete uma redução de 38.764 milhares de euros, ou seja, 63,3% menos do que nos primeiros seis meses de 2019", pode também ler-se no relatório e contas enviado à CMVM.

Já no Brasil "a Teixeira Duarte foi impulsionada pelo bom desempenho do mercado imobiliário de São Paulo e alcançou 72.312 milhares de euros", uma redução de 10 milhões de euros e um impacto da desvalorização do real de 10,6 milhões de euros.

"Não fora este impacto da desvalorização cambial, e em vez de um decréscimo de 12,2% o grupo teria registado um aumento de 7,2% em relação a junho do ano anterior", de acordo com a empresa.