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Egípcia de mobilidade troca Berlim por Lisboa para abrir 1º hub tecnológico na Europa

A SWVL funciona agora no Egito, Paquistão e Quénia. E tem planos de expansão para África, sudeste asiático e América Latina.

SWVL
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Autor: Leonor Santos

A egípcia SWVL está a revolucionar a mobilidade em países sem transportes públicos e agora apontou a mira a Portugal, mas para instalar o seu primeiro centro tecnológico na Europa. A startup vai ter escritórios no cowork LACS Anjos, em Lisboa, e espera contratar 150 profissionais até 2020 para funções-chave de tecnologia, tais como head of engineering, data scientists e developers. A empresa não vai lançar o serviço no país, que será antes um ponto estratégico e núcleo tecnológico do negócio para desenvolvimento do produto.

A SWVL veio transformar o modo como os locais viajam na região do Médio Oriente e do Norte de África (MENA), e já funciona em três países: Egito (Cairo e Alexandria), Paquistão (Islamabad, Karachi e Lahore) e Quénia (Nairobi).

Na prática, a empresa oferece um sistema de transporte de massas baseado numa aplicação que permite que os passageiros que se dirigem na mesma direção partilhem rotas fixas das viagens de autocarro por uma tarifa simples, sem aumento de preço – como se se tratasse de um uber, mas mais barato. O serviço, revela a empresa, pode ser até 70% mais económico do que a concorrência do setor de transportes partilhados.

A SWVL foi fundada no Cairo, em 2017, por três empreendedores egípcios. Ao todo, já recebeu cerca de 73 milhões de euros de investimento. O presidente executivo e um dos fundadores, Mostafa Kandil, tem apenas 26 anos. Conta, atualmente, com 600 colaboradores em 5 cidades, e irá contratar mais 100 antes do final do ano graças à abertura em Lisboa e em mais 2 cidades.

"Excelentes competências dos engenheiros portugueses trouxeram-nos para Lisboa"

O idealista/news entrevistou, por email, a diretora geral de recursos humanos da SWVL, Nádia Pais, para perceber melhor as razões que trouxeram a egípcia para o país, de que tipo de profissionais está à procura e quais são os seus planos de expansão futuros.

Porquê a escolha de Portugal, e mais concretamente Lisboa, para instalar o hub tecnológico?

O propósito de Lisboa é atrair e reter o melhor talento. Esta decisão acaba por ser estratégica pois planeamos ter um centro de excelência em Lisboa onde focamos as nossas equipas para a pesquisa e desenvolvimento, engenharia e também programação. Estas equipas irão trabalhar globalmente nestas áreas.

Inicialmente, pensamos abrir este Hub tecnológico em Berlim, mas o que nos motivou foram as excelentes competências dos engenheiros portugueses: falam muito bem inglês, são competitivos e têm uma dedicação ímpar em comparação a outros países.

Especialistas em engenharia de software, cientistas de dados e programadores serão as principais vagas abertas.

Já iniciaram as contratações para a equipa de 150 que pretendem formar até 2020?

De momento estamos à procura de um diretor de engenharia que irá liderar a equipa em Lisboa. Iremos começar por contratar 20 pessoas até ao final do ano. O resto das contratações serão feitas por fases.

Que tipo de profissionais procuram?

Especialistas em engenharia de software, cientistas de dados e programadores serão as principais vagas abertas.

Nádia Pais, diretora geral de recursos humanos da SWVL / SWVL
Nádia Pais, diretora geral de recursos humanos da SWVL / SWVL

Escolheram o LACS, um espaço de coworking, para ter escritórios. Porquê?

Escolhemos o LACS por vários motivos. Primeiro, encontra-se no centro de Lisboa o que oferece um leque de possibilidades de acesso; em segundo lugar, o facto de ser um espaço de escritórios partilhado permite o contacto com outros profissionais de inúmeras áreas - bastante enriquecedor; em terceiro, e tendo em conta que a equipa irá aumentar, o facto de ser um espaço de escritórios partilhado permite personalizar o espaço à medida que a equipa vai crescendo.

Penso que esta nova forma de trabalho é, para nós SWVL, e também para muitas empresas, uma mais valia, tendo em conta que nos dias que correm tudo se transforma rapidamente - estratégias, equipas, clientes.

Temos como objetivo atuar em zonas do mundo onde os sistemas de transportes são escassos. A concorrência está apenas presente em países já desenvolvidos. 

Como é que se diferenciam da concorrência?

Temos como objetivo atuar em zonas do mundo onde os sistemas de transportes são escassos, o que nos torna capazes de criar estratégias e rotas de raíz, de acordo com as necessidades de cada país. Da informação a que temos acesso, a concorrência está apenas presente em países já desenvolvidos onde os transportes têm uma segurança na sua forma de funcionamento.

A SWVL analisa mercados onde os transportes são precários ou inexistentes e investe e aposta nos mesmos.

Alguns membros da equipa SWVL / SWVL
Alguns membros da equipa SWVL / SWVL

Quais são os planos de expansão?

Temos planos de expansão para mais cidades no continente africano e sudeste asiático, em 2020. No ano seguinte queremos arriscar-nos na América Latina.

Não vão operar em Portugal, apenas ter o tech hub. Têm encontrado resistência para implantar o negócio em algum tipo de países?

Não temos encontrado qualquer tipo de resistência. A única preocupação é a licença mas certificamo-nos de que temos esses documentos em dia e tentamos compreender as legislações locais antes de nos mudarmos para um novo país. E a receção é sempre incrível.