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Viver em camas arrendadas a preço de ouro, a nova realidade em Lisboa e Porto

Jornal i
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Autor: Redação

O negócio de quartos arrendados está no auge em Lisboa e no Porto e há agora um novo fenómeno a despontar: o arrendamento partilhado. Nestes casos, os inquilinos pagam uma renda mensal por cama, muitas vezes num beliche - em lógica de camarata - para viver num quarto onde residem mais pessoas, quase sempre desconhecidas. Os valores cobrados pelos senhorios oscilam entre os 200 e 400 euros, por cama, em termos médios.

E, ao contrário do que se possa pensar, o público alvo deste tipo de habitação não são apenas estudantes, havendo também jovens nos seus primeiros anos no mercado de trabalho ou pessoas solteiras/divorciadas que não têm condições financeiras para manter uma casa sozinhas - sobretudo num momento em que o arrendamento de casas está em alta tanto na capital, como no Porto, havendo falta de oferta e preços elevados.

Quanto ganham os senhorios com o arrendamento partilhado?

O i conta que fez uma ronda por vários sites que fazem promoção de quartos para arrendar, dando nota que os senhorios encontraram uma verdadeira mina de ouro. A fórmula é simples: quanto mais pessoas arrendarem um quarto, mais ganham no final do mês, havendo em vários anúncios a obrigatoriedade de arrendar no mínimo por seis meses. 

Por exemplo, num quarto com oito camas em que são pedidos 200 euros para cada uma, ao final do mês, dá 1600 euros só por um quarto. A este é preciso somar o rendimento dos outros e basta ter quatro nesta modalidade para facilmente o senhorio arrecadar 6400 euros mensais. 

O i diz ainda que sabe de casos em que o proprietário que tinha seis quartos a arrendar por 250 eurós multiplicou-os por 16 - separando as divisões por paredes em pladur, os quartos ficaram com metade do tamanho, mas com o mesmo preço - e em vez de ter um rendimento mensal de 1500 euros passou a ter um total de, três mil euros. 

O perfil de quem partilha casa

Um estudo do idealista mostra que, em média, o inquilino típico de uma casa partilhada tem 31 anos, vive no centro de grandes cidades, não fuma (apesar de tolerantes com quem fuma) e não tem, nem permite animais de estimação. 

O interesse despertado pelo arrendamento de quartos aumentou 123%, apenas nos primeiros seis meses de 2016, ultrapassando assim o dobro de pesquisas realizadas no primeiro semestre de 2015, com base no mesmo relatório.

Com cada vez mais procura, o preço de quartos para arrendar subiu 9%, no período em análise, situando o preço médio em Portugal nos 220 euros mensais. Foram nos principais distritos do país que se registaram os maiores aumentos. Lisboa acompanha a tendência nacional e vê os seus preços subirem 5%, seguida pelo Porto (0,5%). Coimbra estabiliza os preços mantendo-os inalterados em relação ao ano anterior. 

Lisboa é o distrito com os quartos mais caros do país, localizando o custo de arrendamento nos 257 euros mensais. Seguido pelo Porto (209 euros por mês) e Coimbra (173 euros) como o distrito mais económico analisado.