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As microcasas chegam à Austrália para (tentar) combater problemas de habitação

Grimshaw via Deezen
Grimshaw via Deezen
Autor: Redação

O mercado imobiliário australiano está a debater-se com um problema: não há oferta para tanta procura. E os jovens são dos que mais saem a perder nesta equação – não conseguem encontrar casas a preços acessíveis. Mas já há quem esteja à procura de soluções. É o caso da empresa Grimshaw, que criou uma pequena casa pré-fabricada de 32,5 metros quadrados (m2) para tentar combater a crise.

O valor das vendas deste projeto, batizado como “The Peak”, – e que quer oferecer uma solução de habitação acessível para os jovens – reverterão para a organização sem fins lucrativos Kids Under Cover (em Melbourne), que apoia jovens sem-abrigo, escreve o Deezen.

Estas microcasas vão custar entre 110.000 dólares e os 150.000 dólares, entre 62.000 e os 92.000 euros. Têm um piso e 32,5 m2, onde cabem um quarto com uma cama de casal de grandes dimensões (queen size), uma cozinha, uma casa de banho e uma sala.

O problema dos preços na habitação é uma realidade que, de resto, afeta vários países e cidades há já alguns anos. É o caso de Portugal, mas também da vizinha Espanha, onde estarão prestes a chegar as "casas colmeia", cápsulas de 3 m2 em Barcelona por 250 euros ao mês. O mesmo cenário na Ásia, onde em Hong Kong - um mercado pioneiro neste tipo de soluções - viver em "cápsulas" de 7m2 a 900 euros por mês é (quase) normal.

Preços sobem ou descem? Tudo depende do mercado de trabalho

A crise imobiliária chegou à Austrália e parece ter vindo para ficar. Segundo a empresa de estatísticas CoreLogic, citada pela Business Insider, o mercado australiano enfrenta agora mais riscos do que há um ano. O futuro ainda é uma incógnita, mas há vários fatores em cima da mesa.

Tim Lawless, especialista da Core Logic, acredita que para assistirmos a uma queda de preços brutal seria necessária uma grande reviravolta no mercado, nomeadamente a uma deterioração das condições do mercado de trabalho, uma crise global ou um aumento substancial nas taxas de juros.

Estes serão os catalisadores capazes de desencadear um “crash” nos preços, um cenário que o especialista acha muito “improvável” que, para já, se venha verificar. Quer isto dizer que, na ausência de um “choque” global – um risco significativo, mas que está fora do controlo da Austrália – serão as condições no mercado de trabalho a assumir um papel fundamental na determinação de uma recessão ou colapso.

Na verdade as condições continuam a melhorar no presente, com a criação de emprego em níveis recorde e o desemprego nos níveis mais baixos de há cinco anos. E mesmo que o mercado de trabalho “arrefeça”, como muitos indicadores sugerem, Lawless diz que a história recente mostra que “as coisas terão que se deteriorar substancialmente para provocar a uma possível queda”.

O mesmo cenário nas taxas de juro, nos níveis mais baixos desde a década de 60. Ainda que aumentem, acredita o especialista, não deverão provocar um grande impacto. Lawless considera, assim, que a capacidade de pagar uma casa desempenhará um papel fundamental naquilo que acontecerá a seguir.

Mostramos-te agora as imagens das microcasas que prometem resolver a crise: