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Edifícios sem varanda? Há um arquiteto espanhol que tem uma solução pré-fabricada

O arquiteto Luís Quintano concebeu o STAYHÖME, um protótipo standardizado para instalar varandas nas fachadas de edifícios existentes.

Luis Quintano
Luis Quintano
Autor: Juanjo Bueno (colaborador do idealista news)

O confinamento, provocado pela pandemia da Covid-19, mudou o paradigma do design e da forma de habitar as casas, criando a necessidade de conviver em espaços mais amplos, luminosos e abertos. Neste contexto, a varanda tornou-se um elemento-chave para ganhar metros em casa – e, em muitos casos, um espaço para respirar ar puro.

Para realçar a sua importância, como elo de ligação, o arquiteto Luís Quintano concebeu o STAYHÖME, um protótipo standardizado para instalar varandas nas fachadas de edifícios existentes, onde em muitos casos não existe varanda para a rua - uma necessidade que ainda se tornou mais evidente no período de confinamento.

Este projeto, que nasceu como proposta para o concurso de ideias "Arquitetura do dia seguinte", organizado pela Mutua ASEMAS, "é um exercício intelectual sobre a valorização do espaço da varanda na cidade como espaço-filtro de ligação com o exterior", explica Quintano. Embora também se apresente como um exercício de procura por um sistema construtivo simples que permita o seu desenvolvimento.

A varanda tem sido um símbolo de espaço público e de interrelação, um espaço exterior que permite a ligação social de forma segura (desde desenhos de crianças à janela, DJs, músicos, aplausos, mensagens de apoio, protestos ou conversas entre vizinhos, que têm sido os protagonistas desses espaços).

Com a STAYHÖME, este arquiteto pretende voltar a encher as fachadas de vida, estabelecer um vínculo “voyeur” entre os cidadãos, uma necessidade “de ver o coração da vida e não se sentir só”. Mas, além disso, este sistema promove a “customização” do espaço da varanda de acordo com as preferências de cada utilizador, de acordo com os códigos DIY (Do It Yourself), em linha com as empresas de mobiliário como a IKEA.

Requisitos para a sua implementação

Para que este protótipo se transforme numa opção real, podendo ser adaptado a todos os tipos de edificações, é necessário, por um lado, o apoio da administração para a promoção de planos de melhoria na cidade existente, incluindo planeamento legislativo e urbano, e, do outro, a padronização do sistema para baixar os preços e possibilitar o desenvolvimento global, reconhece o seu autor.

A adaptação desta proposta, ideal para moradias em bairros periféricos que não possuem terraço, requer, no entanto, um estudo técnico de cada caso específico. “Eles dependeriam de cada edifício e não poderiam ser estudados globalmente, então seria necessário desenvolver sistemas estruturais que se adaptassem a diferentes variáveis”, refere Quintano. Como premissa fundamental, a estrutura destas varandas não poderia só ser fixada à fachada, mas seria desenvolvido um sistema estrutural interno por causa do peso.

O que seria adaptável são suas inúmeras possibilidades de configuração. A partir das caixas de peças de mobiliário padronizadas, este sistema possui diversos módulos e acessórios para que o utilizador configure a sua varanda ideal, adaptando-se às suas necessidades. Desde módulos simples, duplos, triplos, cobertos ou descobertos, diferentes opacidades no acabamento, até peças opcionais como placas, roldanas, floreiras, toldos, cortinas, candeeiros.

Luis Quintano
Luis Quintano

“O leque de possibilidades pode ser infinito e o sistema fácil de renovar caso os requisitos mudem por parte do cliente”, afirma o arquiteto. “O importante”, acrescenta, “é que o utilizador decida até que ponto quer ou não interagir com os vizinhos, se quer fazer uma horta urbana, um espaço para ler, um lugar para brincar para as crianças etc”.

Para Luis Quintano, a importância deste projeto reside em não considerá-lo como um projeto único, mas sim na ideia de um sistema que permite ser desenvolvido numa multiplicidade de edifícios e ser adaptável às diferentes necessidades do cliente. “É uma oportunidade de criar um sistema único que ofereça continuidade visual ao mesmo tempo que permite uma variedade de configurações”, especificou.

Embora a STAYHÖME surja de uma utopia de conquista do espaço urbano, há também uma ideia do seu potencial de real desenvolvimento como proposta de mudança urbana. De facto, o projeto, que é público desde meados de setembro, tem recebido boas críticas de arquitetos, engenheiros, empresas de construção e materiais, etc., “mas o que mais me surpreendeu foi o grande apoio de quem está de fora da área da construção, ou seja, da sociedade como um todo, dando uma ideia da necessidade de projetos como este para mudar as nossas cidades ”, agradece Luis Quintano.