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Preço das casas a desacelerar em quase todo o país: estado de emergência meteu travão às subidas

O custo da habitação continua a subir, mas um ritmo inferior, de acordo com as Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local divulgadas pelo INE.

Photo by Alexander Wende on Unsplash
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Autor: Redação

O ritmo de crescimento dos preços da habitação está a desacelerar em quase todo o país, em particular nas grandes cidades. No segundo trimestre de 2020, marcado pelo período de confinamento por causa da pandemia, o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal fixou-se nos 1.187 euros por metro quadrado (m2), de acordo com as Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Este valor representa uma redução de 1,4% face ao primeiro trimestre deste ano, mas também mostra um aumento de 9,4% face ao segundo trimestre de 2019.

“A evolução da taxa de variação homóloga entre o primeiro e segundo trimestre de 2020 — de 14,4% para 9,4% –, evidencia a desaceleração do ritmo de crescimento dos preços”, nota o INE. Ainda assim, e apesar da tendência de desaceleração, houve cinco municípios com mais de 100.000 habitantes –a contrariar esta tendência, nomeadamente Santa Maria da Feira, que viu os preços subirem 2,7 pontos percentuais (p.p.), Guimarães (7.2 p.p.) Porto (3,1 p.p), Seixal (2,7 p.p.) e Oeiras de (1 p.p).

A taxa de variação homóloga reduziu-se, contudo, entre o primeiro e segundo trimestre em 19 dos 24 municipios mais populosos, incluindo os das áreas metropolitanas. Este abrandamento foi superior ao padrão nacional em 10 municípios, tendo sido particularmente acentuado no Funchal (-15,8 p.p.), em Gondomar (-15,5 p.p.) e, a alguma distância, na Maia (-9,0 p.p.) e em Setúbal (-8,0 p.p.).

Recorde-se que esta é a primeira vez que o gabinete de estatísticas público revela os resultados trimestrais dos valores medianos das vendas de alojamentos familiares para sub-regiões NUTS III e municípios com 100 mil ou mais habitantes. O INE diz que “o impacto socioeconómico da pandemia Covid-19” justifica a análise desagregada do primeiro e do segundo trimestre, e que “esta opção permite uma análise das dinâmicas mais recentes do mercado de aquisição de habitação”, ainda que condicione “a apresentação de resultados para pequenos domínios territoriais”.

Municípios do Algarve e AML superam média nacional

Considerando o conjunto dos 12 meses anteriores, no segundo trimestre de 2020 o valor mediano das vendas de casas ascendeu a 1.137 euros por m2. Trata-se de uma subida de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2020 e um aumento de 10,3% face a igual período do ano passado. O preço mediano da habitação manteve-se acima do valor nacional nas regiões do Algarve (1.682 €/m2 ), Área Metropolitana de Lisboa (1.550 €/m2 ), Região Autónoma da Madeira (1.272 €/m2 ) e a Área Metropolitana do Porto (1.153 €/m2 ).

Neste período, 48 municípios apresentaram um preço mediano superior ao valor nacional, localizados maioritariamente nas sub-regiões Algarve (14 em 16 municípios) e AML (15 em 18). Numa análise mais detalhada verifica-se que o município de Lisboa (3.376 €/m2 ) registou, mais uma vez, o preço mais elevado do país.

Verificaram-se também valores superiores a 1.500 €/m2 em Cascais (2.737 €/m2 ), Oeiras (2.268 €/m2 ), Loulé (2.240 €/m2 ), Albufeira (2.000 €/m2 ), Lagos (1.989 €/m2 ), Odivelas (1.911 €/m2 ), Porto (1.905 €/m2 ), Tavira (1.861 €/m2 ), Faro (1.717 €/m2 ), Loures (1.698 €/m2 ), Aljezur (1.633 €/m2 ), Vila Real de Santo António (1.630 €/m2 ), Funchal (1.626 €/m2 ), Almada (1.602 €/m2 ), Amadora (1.595 €/m2 ), Lagoa (1.586 €/m2 ) e Matosinhos (1.557 €/m2 ), menos um município que no trimestre anterior.

O INE nota ainda que a AML foi a sub-região com a maior amplitude de preços entre municípios: cerca de 2.527 €/m2 separam o menor valor, registado na Moita (849 €/m2 ), do maior, observado em Lisboa. O Algarve, a Área Metropolitana do Porto e a Região de Coimbra também apresentaram também diferenciais de preços entre municípios superiores a 1.000 €/m2.