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Ai Weiwei, artista plástico e ativista social chinês, abandona o Reino Unido e escolhe Portugal para viver

Artista plástico e ativista social chinês vai estrear uma exposição na Cordoaria Nacional em junho deste ano.

Gtres
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Autor: Redação

Ai Weiwei é um dos artistas mais interventivos da contemporaneidade e conhecido também pela sua oposição ao regime comunista de Xi Jinping. O dissidente chinês, cuja arte ativista transformou-o num dos críticos mais conhecido de Pequim, trocou a vida no exílio britânico por Portugal, onde quer ficar por “muito tempo”. Está a viver numa propriedade rural em Montemor-o-Novo, segundo a Reuters.

Recorde-se que Ai Weiwei irá estrear pela primeira vez em Portugal uma exposição inédita. A mostra, batizada de “Rapture”, poderá ser vista na Cordoaria Nacional, em Belém (Lisboa), entre 4 de junho e 28 de novembro de 2021. A exposição tem curadoria do brasileiro Marcello Dantas e divide-se em dois núcleos: um mais fantástico e espiritual; e outro mais realista e engajado, que reflete a sua oposição ao regime de Pequim e as suas preocupações com questões sociais e ambientais, tal como explica a revista Time Out. No decorrer da exposição, haverá ainda um ciclo de documentários sobre a vida e obra do artista.

Além das obras produzidas em Portugal, com o apoio de artesãos e recorrendo a técnicas tradicionais e materiais nacionais, serão mostradas algumas peças icónicas do chinês, nomeadamente a Snake Ceiling (2009), uma instalação em forma de serpente constituída por centenas de mochilas de crianças, em memória dos estudantes mortos no terremoto de Sichuan, em 2008, escreve a mesma publicação.

A viver no Alentejo 

Eleito o artista mais popular em 2020 por “The Art Newspaper”, passou vários anos em Berlim, na Alemanha, e mudou-se depois para Cambridge (Reino Unido), em 2019, onde o filho estuda. Mas foi em Portugal que encontrou uma nova “casa”, onde é “feliz”. Vive numa villa “com piscina rodeada por um relvado verdejante, e mantém duas gaiolas de pássaros exóticos”. “Eu amo Portugal”, disse o artista chinês à Reuters. “Vou ficar aqui durante muito tempo, a menos que aconteça alguma coisa”, sublinhou ainda.

Ai Weiwei, que ajudou a projetar o famoso estádio Ninho de Pássaro das Olimpíadas de Pequim de 2008, antes do conflito com o regime que o prendeu por um breve período, lamenta a falta de uma figura como a de Gorbachev na China, revelando estar a trabalhar num monumento em homenagem ao ex-líder soviético, que é uma das mais proeminentes figuras da esfera política do século XX. “Gorbachev é um dos pensadores mais importantes, visionários, que ajudou a estabelecer uma nova possibilidade para a sociedade”, disse na entrevista à Reuters.