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As vantagens de investir em imóveis “verdes”: do ambiente ao retorno financeiro efetivo

O estudo “Building a New Future with Sustainability”, desenvolvido pela JLL, analisou o impacto da adoção de medidas de sustentabilidade no custo e valor dos imóveis.

Foto de Scott Webb no Pexels
Foto de Scott Webb no Pexels
Autor: Redação

O investimento em “imóveis” verdes está a crescer em Portugal, ainda que a par e passo, e a verdade é que a aposta num imobiliário mais sustentável traz com ela várias vantagens. Apesar dos custos à cabeça serem mais elevados quando se investe num edifício com estas características, há evidências de que este tipo de imóveis tenderá a ter um melhor desempenho em termos de atratividade comercial, taxas de ocupação, rendas e custos operacionais. A conclusão é do estudo “Building a New Future with Sustainability”, desenvolvido pelo Departamento de Strategic Consultancy & Research da JLL, onde analisa o impacto da adoção de medidas de sustentabilidade no custo e valor dos imóveis, focando-se no mercado de escritórios.

O estudo pretende mostrar que investir em edifícios mais sustentáveis “é não só uma urgência estrutural das sociedades e do ambiente, como tem efetivamente benefícios muito relevantes em termos de custos, valor e desempenho ocupacional dos imóveis” segundo declarações de Joana Fonseca, Head Strategic Consultancy & Research da  consultora. A responsável adianta, aliás, que cerca de 40% do total das emissões de carbono advêm do imobiliário, e que, por isso, o setor terá um papel crucial na construção de um futuro mais resiliente e sustentável.

“É importante que os investidores, promotores e ocupantes percebam que a sustentabilidade e o desenvolvimento de edifícios mais verdes vai ser uma exigência de base no futuro”, sublinha.

Imóveis “verdes” cada vez mais valorizados: as vantagens para quem investe

O estudo refere que o investimento adicional exigido para implementar medidas de sustentabilidade num edifício não irá muito além dos 5% face ao um imóvel semelhante onde tais padrões não sejam aplicados. Além disso, a própria indústria da construção está a evoluir e os custos para tal investimento tenderão a reduzir à medida que os padrões de sustentabilidade sejam cada vez mais um requisito básico. Por outro lado, nota a JLL, não investir num imóvel com certificação de sustentabilidade poderá ter um custo futuro muito mais elevado, uma vez que “é expectável a depreciação do valor de um imóvel não sustentável no tempo”, assim como o aumento da carga fiscal para penalizar edifícios com emissões de carbono excessivas.

Há também um “claro” impacto nas rendas, de acordo com a consultora. Ainda que dependendo da conjugação de variáveis como a localização, os termos de arrendamento, o perfil do inquilino ou a idade do imóvel, numa comparação de dois edifícios semelhantes, no mercado de Londres, a JLL apurou um prémio de 6% a 11% na renda dos ativos com certificação em sustentabilidade.

No âmbito dos custos operacionais, a implementação de medidas de sustentabilidade num edifício pode ter um impacto muito relevante, estimando-se reduções de 25% a 50% no consumo de energia, de 40% no gasto de água e de 70% na produção de resíduos.

Outra vertente é o impacto no desempenho ocupacional dos imóveis. “Os edifícios mais sustentáveis estão associados a rendas mais elevadas, menores incentivos e à atração de inquilinos com perfil mais sofisticado, além de haver evidência de menores tempos de comercialização e taxas de disponibilidade mais baixas”, indica a consultora, que lançou recentemente uma linha de consultoria especializada na área de sustentalidade, liderada por Caetano de Bragança, Head of Sustainability da JLL.

Portugal à frente da Alemanha, Espanha ou França

A JLL refere que apesar de atualmente apenas 3% do stock de escritórios de Lisboa ter certificação de sustentabilidade, há uma crescente aposta dos promotores e investidores neste caminho, visto que 58% dos 230.000 metros quadrados (m2) atualmente em construção já incorporam certificações BRREAM, LEED ou WELL. Um inquérito aos Clientes da JLL na região EMEA, mostra que em Portugal 82% dos operadores ativos afirma ter intenção de avançar no compromisso com a sustentabilidade, uma quota superior à registada para a Alemanha, Espanha ou França.

A JLL desenvolveu ainda um inquérito especificamente junto de clientes corporativos com ativos de escritórios em Lisboa, concluindo que para 88% dos inquiridos as questões da saúde e bem-estar são a principal prioridade das estratégias de sustentabilidade no imobiliário e que as motivações principais para a maioria dos investidores investirem em sustentabilidade assentam na responsabilidade social corporativa e no envolvimento com o bem-estar dos ocupantes.

Pedro Lancastre, diretor geral da JLL, diz que “continua a existir uma perceção errada do custo/benefício dos edifícios sustentáveis em Portugal, pelo que estes dados são críticos para perceber o impacto financeiro de um ambiente construído mais sustentável e para apoiar as melhores decisões”.

“Este estudo pretende precisamente mostrar que os edifícios sustentáveis fazem sentido não só pelo seu impacto ambiental positivo, mas também porque geram retornos financeiros efetivos: mitigam risco, baixam custos operacionais, aumentam o prémio das rendas e comprimem as yields, assim resultando num maior valor de venda do imóvel. A sustentabilidade deve ser uma prioridade e estar em cada fase do ciclo de vida do imóvel, indo muito além da certificação. E mais do que isso, vai tornar-se a norma no futuro. Não fazer nada já não é opção”, conclui o responsável.