A Stanfordville House, no estado de Nova Iorque é um exemplo de construção contemporânea que reinterpreta a vida rural sem abdicar da essência.
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Stanfordville House
Stanfordville House Paul Warhol

Construir no presente com formas do passado, mas reinventando-as. Esta é uma das tendências da arquitetura contemporânea que olha para o passado de forma mais ligada ao território. 

A atenção vira-se para construções populares e comuns: quintas, casas rurais ou reabilitações que recorrem a materiais e técnicas tradicionais. Esta abordagem, centrada no respeito pelo passado, permite criar espaços inovadores que preservam a identidade do lugar. 

É o caso da Stanfordville House, situada no estado de Nova Iorque, um exemplo marcante desta tendência: uma construção contemporânea que reinterpreta a vida rural sem abdicar da sua essência histórica.

Habitação contemporânea sobre estrutura agrícola

Telhado com duas águas
Telhado com duas águas Paul Warhol

Situada numa ampla paisagem ondulada, característica do vale do Hudson, a Stanfordville House ergue-se no mesmo local onde existia anteriormente um celeiro em ruínas. 

Em vez de demolir totalmente e começar do zero, o atelier Desai Chia Architecture optou por trabalhar a partir da memória do lugar, reinterpretando a silhueta das construções agrícolas tradicionais para as transformar numa casa luminosa e funcional.

Interiores
Interiores Paul Warhol

O resultado é um edifício organizado de forma longitudinal, com um telhado de duas águas, uma forma que remete de imediato para os celeiros que pontuam a região, mas concretizado através de técnicas construtivas e acabamentos próprios da arquitetura contemporânea.

Como referido, a habitação assenta sobre os vestígios das fundações originais de um antigo celeiro, que foram reforçadas e reutilizadas, reduzindo o impacto ambiental e preservando a marca histórica do edifício pré-existente. 

Para o atelier Desai Chia Architecture, esta intenção foi determinante, já que o objetivo passava por “fazer com que a casa dialogasse com a paisagem rural e com a história do lugar, sem cair numa reprodução literal do passado”.

Vista para o bosque e prados
Vista para o bosque e prados Paul Warhol

O exterior combina madeira carbonizada e painéis metálicos escuros, evocando as construções agrícolas marcadas pelo tempo, mas conferindo simultaneamente uma estética contemporânea e duradoura. 

As amplas aberturas envidraçadas fragmentam a massa escura do volume e permitem que a luz natural penetre profundamente no interior.

Nas palavras do atelier Desai Chia Architecture, a forma da casa funciona como “uma moldura que orienta o olhar para os prados e os bosques envolventes”, criando uma experiência que integra arquitetura e paisagem.

Janelas abertas para a paisagem
Janelas abertas para a paisagem Paul Warhol

Por outro lado, a sua volumetria simples é interrompida apenas para dar lugar a alpendres e terraços, que recuperam a tradição das casas rurais do nordeste dos Estados Unidos, onde o exterior se assume como uma extensão natural do interior.

Artesanato tradicional e design contemporâneo

Se o exterior procura estabelecer uma ligação visual com os celeiros do passado, o interior da Stanfordville House revela uma abordagem igualmente respeitadora, mas pensada para a vida contemporânea. 

Os espaços organizam-se de forma linear, com uma grande área central que integra cozinha, sala de jantar e sala de estar.

Alpendres e terraços
Alpendres e terraços Paul Warhol

A paleta interior combina madeira clara, pavimentos em betão polido e mobiliário cuidadosamente selecionado, criando um ambiente acolhedor, quase artesanal, que contrasta com a austeridade do exterior. 

As janelas são estrategicamente enquadradas para funcionarem como quadros sobre a paisagem rural, reforçando a relação constante entre a casa e o seu enquadramento natural.

Os quartos e os espaços mais privados ocupam as extremidades do volume, tirando partido da orientação para maximizar o conforto térmico e a entrada de luz natural

Os arquitetos explicam que a Stanfordville House foi pensada para funcionar como um refúgio ao longo de todo o ano, adaptando-se tanto ao frio do inverno como ao clima ameno do verão através de soluções passivas, como ventilação cruzada, orientação solar estudada e utilização de materiais com elevado desempenho térmico.

Madeira carbonizada e metal
Madeira carbonizada e metal Paul Warhol

No desenho foram integradas peças de artesanato local e técnicas construtivas herdadas, um gesto essencial para alcançar o equilíbrio entre tradição e inovação. Nas palavras do atelier Desai Chia Architecture, o projeto “celebra a história agrícola da região, ao mesmo tempo que cria uma casa capaz de responder às necessidades contemporâneas”.

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