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O shopping futurista que agora é a cadeia dos prisioneiros políticos da Venezuela

Business Insider
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Autor: Redação

O El Helicoide, em Caracas, foi desenhado para ser o primeiro centro comercial do mundo aberto à circulação automóvel (“drive-through”), mas acabou por transformar-se numa prisão, que há várias décadas “acolhe” os prisioneiros políticos da Venezuela. Votado ao abandono, tornou-se propriedade do Governo em 1975,  tendo também sido utilizado, entre 1979 e 1982, para albergar cerca de 500 famílias desalojadas, que habitavam contentores colocados dentro do edifício. 

Entre as barracas do Bairro de San Agustín, na capital venezuela, destaca-se um edifício de aspeto espacial, que foi desenhado pelo arquiteto Jorge Romero Gutiérrez, inspirado na Torre de Babel e no planetário proposto por Frank Lloyd Wright’s, o Gordon Strong Automobile Objective.

A história deste estranho edifício - cujos planos de construção previam 320 lojas e dois elevadores, bem como rampas de duas faixas - é descrita num livro publicado pelas historiadoras Celeste Olalquiaga e Lisa Blackmore, “Downward Spiral: El Helicoide’s Descent from Mall to Prison” (“Espiral Descendente: A Passagem do El Helicoide de Centro Comercial a Prisão”, em tradução livre).

As obras iniciaram-se, em 1956, numa altura em que a companhia petrolífera estatal da Venezuela, apoiada pelo Governo da época, apresentou ganhos significativos, relativos à venda de petróleo aos aliados da Segunda Guerra Mundial. 

E o valor do projeto foi então reconhecido um pouco por todo o mundo. O poeta Pablo Neruda, segundo conta o Business Insider citado pelo Jornal Económico, chegou mesmo a chamar-lhe “uma das criações mais refinadas a sair da mente de um arquiteto”. Mas, apesar da planeada grandeza, o projeto foi abandonado em 1958, depois do colapso da ditadura de Pérez Jiménez.

Em 1984, uma agência policial local – o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) – tomou conta do edifício e transformou-se numa prisão para presos políticos, atividade que mantém até hoje. 

Atualmente, existem pelo menos 340 prisioneiros políticos naquele edifício, incluindo estudantes que recentemente participaram nos protestos anti-Maduro. E há relatos de antigos prisioneiros que falam de terrores que acontecem no El Helicoide: choques elétricos, espancamentos e enforcamentos por largos períodos de tempo.