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Nova Iorque perdeu 110 mil habitantes em 2020 – o que se espera na retoma?

Só nos primeiros meses de 2021, a cidade já ganhou 1.900 novos residentes. Mas o saldo continua negativo.

Imagem de barbaraedna1 por Pixabay
Imagem de barbaraedna1 por Pixabay
Autor: Redação

Os efeitos da pandemia da Covid-19 em muito se fizeram sentir nos Estados Unidos (EUA). Este é mesmo o país mais afetado do mundo quer em número de mortes (585.708), quer em número de casos (32.924.303), segundo os dados mais recentes apurados pela agência France-Presse. E este cenário refletiu-se na população dos grandes centros urbanos, como é o caso de Nova Iorque, que só em 2020 perdeu 110 mil habitantes.

As contas são da World Economic Forum e da Fundação Thomson Reuters (WEF/FTR), que analisaram a base em dados da empresa americana de rastreamento de telemóveis Unacast. Apesar da perda populacional verificada no ano passado, nota-se agora que já há movimentos de regresso à cidade – Nova Iorque já ganhou nos primeiros dois meses deste ano 1.900 novos residentes. Ainda assim, o saldo continua negativo, registando ainda uma perda de 7.100 habitantes, referiu o jornal Expresso a semana passada.

O bom ritmo da vacinação pode ser um dos motivos que trazem confiança à retoma. De acordo com os dados mais recentes do Our World in Data, 46,71% da população nos EUA já tomou pelo menos uma dose. E 36,86% já está completamente vacinada. A par desta medida estão outras que pretendem levar mais pessoas a tomar a vacina e retomar aos padrões normais da vida em sociedade. Este é o caso da isenção da utilização de máscaras e de distanciamento social, na maioria dos espaços públicos, para pessoas totalmente vacinadas no país, uma medida que foi aprovada pelo Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) dos EUA a semana passada. Ainda assim, há restrições que se vão manter como a utilização de máscaras em comboios e aviões, hubs’ de transportes ou zonas de circulação em locais como hospitais ou centros de saúde e consultórios, refere o Jornal de Negócios.

Com o início da retoma da população residente à cidade e os fatores positivos de controlo da pandemia, as análises do WEF/FTR sugerem que as deslocações geográficas registadas em 2020 para fora de Nova Iorque deverão ser temporárias. Também os economistas do Bank of America referiram que "não veem evidências de um amplo êxodo urbano", refere ainda o jornal Expresso. Os especialistas do banco americano acreditam ainda que, apesar de esta cidade ser das mais caras para se viver nos EUA, haverá “alguma recuperação no curto prazo” e aponta ainda esta como uma das “principais cidades para jovens arrendatários”.

Fatores alinham-se para a retoma

A sustentar esta retoma está também o facto de as consequências económicas de longo prazo do ano passado não terem sido tão profundas quanto se temia, aponta ainda a análise do WEF/FTR. Um exemplo é a taxa de falência das empresas que terá sido muito menor do que o previsto, segundo a análise da Reserva Federal norte-americana (Fed). E, por outro lado, o nível de incumprimento de hipotecas e empréstimos não dispararam, o que pode indicar que a situação económica das famílias continua estável.

O mercado de habitação também não sofreu grandes repercussões durante a pandemia, mas verificou-se que as “casas nas zonas suburbanas venderam-se mais rápido do que as residências urbanas no final de 2020”, segundo refere mesma análise partindo dos dados da imobiliária Zillow.

O economista do Fed de Cleveland, Stephan Whitaker, explicou que “a emigração aumentou em muitos bairros urbanos, mas as magnitudes provavelmente não se encaixariam na maioria das definições de êxodo”. E conclui que “o que é certo é que centenas de milhares de pessoas que se teriam mudado para um bairro urbano num ano normal não quiseram ou não puderam fazer isso em 2020”.