Os arrendamentos estão a crescer a uma taxa anual de cerca de 5%, colocando muitos desafios às famílias.
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La ciudad de San Francisco
La ciudad de San Francisco GTRES

Em todas as economias avançadas, o mercado de arrendamento está a passar por grandes mudanças. Nos anos anteriores à pandemia, as rendas eram altas, mas não subiam tão rapidamente: o preço de arrendar uma casa aumentava cerca de 2% ao ano, segundo dados da The Economist. Durante a pandemia, os preços desaceleraram e, em algumas cidades, até caíram à medida que os proprietários procuravam desesperadamente por inquilinos.

Hoje a história é outra. Os arrendamentos nos países mais avançados estão a crescer a uma taxa anual de cerca de 5%, o aumento sustentado mais rápido em décadas, representando um enorme desafio para as famílias.

Em alguns locais, o mercado de arrendamento virou uma "loucura". Os preços em França subiram 2,5%, o que aparentemente não parece muito, mas está muito longe dos 0,3% registados antes da pandemia. A inflação na Austrália é oito vezes maior do que no final da década de 2010. Em Portugal, as rendas estão a subir 7% ao ano, destaca a publicação. Mesmo em países onde o mercado imobiliário está em queda, os arrendamentos estão a subir rapidamente. Na Nova Zelândia, os preços nominais das casas à venda caíram 15% em relação ao pico, de longe o pior desempenho de qualquer país rico. No entanto, os arrrendamentos aumentaram 14%. 

Para muitos inquilinos, especialmente os inquilinos de classe baixa, o aumento representa uma enorme despesa mensal extra. Um relatório do ano passado da FED nos EUA observou que "os desafios no pagamento das rendas aumentaram em 2023". O aumento dos arrendamentos provavelmente será um dos fatores por detrás do aumento dos sem-abrigo em muitos países. Dados oficiais sugerem que o número de sem-abrigo no Canadá e EUA aumentou 20% e 40%, respetivamente, desde 2018.

Das migrações às restrições na oferta

A recente onda de migração do mundo rico agravou as dificuldades. Os recém-chegados raramente têm capacidade para comprar uma casa. Na Grã-Bretanha, 75% dos que chegaram nos últimos cinco anos são arrendatários, em comparação com 16% dos nascidos no país. Além disso, os recém-chegados tendem a ficar nas cidades, onde a oferta de habitação é mais limitada.

Juntamente com esse aumento da procura, o setor  também enfrenta uma restrição de oferta. Por exemplo, nos EUA, a pandemia levou muitos promotores e construtores a parar de construir apartamentos, que geralmente são arrendados em favor de casas unifamiliares nos subúrbios, que geralmente são próprias. Em 2020, as licenças em São Francisco para construção de moradias multifamiliares caíram para metade da sua alta pré-pandémica, por exemplo. Ainda hoje o centro da cidade está cheio de apartamentos de luxo que foram iniciados, mas nunca terminados.

A inflação dos arrendamentos poderá estar a atingir o pico: o setor de construção está a adaptar-se e as taxas de juros não estão a subir (mas em trajetória inversa). Em muitos países, a emigração também desacelerou. Mas outra questão é se as taxas cairão o suficiente para permitir que as pessoas regressem ao mercado de compra de casas e, portanto, se a pressão extrema sobre o setor de arrendamento realmente diminuirá. Para a The Economist, é claro que os inquilinos nas economias avançadas vão continuar a sentir-se pressionados durante algum tempo, com consequências políticas imprevisíveis.

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