casas de portugueses pelo mundo: viver em estocolmo, suécia (fotos)

casas de portugueses pelo mundo: viver em estocolmo, suécia (fotos)

a partir de hoje o idealista news tem uma nova rubrica quinzenal: "casas de portugueses pelo mundo". aqui vamos contar-te histórias de gente da nossa terra que atravessou a fronteira e teve de procurar casa noutras paragens

com 28 anos, eduarda taveira mudou-se para estocolmo em janeiro de 2010. uma oportunidade de trabalho no grupo editorial metro internacional fê-la desembarcar na capital da suécia para trabalhar em marketing. o primeiro passo foi encontrar um sítio para morar. em entrevista ao idealista news, eduarda conta como foi este processo de encontrar casa em estocolmo e dá algumas dicas para quem quiser visitar a cidade 

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pergunta: como conseguiste encontrar casa?
 
resposta: como fomos realocados dos nosso países de origem a empresa contratou uma "relocation agency" para nos arranjar casa (agência que trata dos trâmites da realocação de funcionários estrangeiros). eu vim um mês antes de mudar (dezembro de 2009) para ver casas. vi cinco. a agência marcou a visita mas depois fui sozinha ver as casas. fiquei logo na primeira que vi
 
p: e ainda estás na mesma casa?
 
r: o senhorio estava a trabalhar na noruega mas teve de voltar e precisou da casa, portanto, passados seis meses, tive de mudar. desta vez, estive à procura nos sites, e aí sim é um problema. todas as casas engraçadas são imediatamente arrendadas. a procura é muito maior que a oferta e, como tenho gatos, torna-se ainda mais complicado. além disso, a decisão final de arrendar a casa depende do que o dono da casa acha de ti. a primeira impressão é importantíssima e, em caso de indecisão, entra numa espécie de leilão... o que nunca corre bem para quem quer arrendar
 
p: o que achaste dos preços das casas nesta primeira abordagem? 
 
r: eu acho que os preços não são nada de extraordinário, mesmo comparando com lisboa. as rendas dependem muito da localização, quase mais que do tamanho da casa. a coisa boa é que incluem tudo: água, luz, televisão e em alguns casos, televisão por cabo e internet. para o preco da cidade, ou seja, para aquilo que se paga para viver aqui em termos de alimentacão e lazer não acho nada caro mesmo
 
p: quanto pagas de renda?
 
r: pago à volta de 900 euros com internet, televisão por cabo, aquecimento, luz e água. a minha casa tem 55 m2, é no centro da cidade e estou ao lado de uma estação de metro
 
p: como são as casas em estocolmo?
 
r: em termos de construção são muito melhores. o isolamento é absolutamente fantástico. com -20 graus lá fora anda-se de t-shirt dentro de casa
 
p: como funciona o arendamento?
 
r: de uma forma geral, para quem nasce cá, é muito bom pois é possível inscrever-se logo num sistema de arrendamento que, habitualmente, tem uma lista de espera de 18/19 anos (o que é perfeito em termos de timing). as casas são todas propriedade do governo que atribui uma casa, com as características que escolheste e dentro da disponibilidade, a uma renda muito mais baixa que a do mercado. depois de entrar neste esquema, podes ir fazendo permutas com outras pessoas e ir mudando de casa (maior ou mais pequena) consoante as necessidades da tua vida. sempre a um preço muito mais baixo que o do mercado. ou seja, no limite, podes nunca ter de ter uma casa "tua" porque tens este sistema que é muito mais vantajoso para toda a gente
 
p: tens alguma história curiosa que tenha acontecido neste processo de arranjar casa?
 
r: a única coisa curiosa é que as casas aqui têm todas uma lavandaria comum e isso pode ser um processo complicadissimo entre os vizinhos. acaba por ser, muitas vezes, uma fonte de conflitos
 
p: estocolmo é uma boa cidade para se viver?
 
r: . eu gosto muito embora ache que não é uma cidade na qual viveria para o resto da minha vida, apenas durante 2 ou 3 anos. é uma experiência totalmente diferente, uma cultura diferente e, no entanto, está-se pertíssimo
 
p: quais as três melhores qualidades da cidade?
 
r: posso dizer quatro? primeiro, o verão. acho que nunca gozei tanto o bom tempo e o sol como aqui, mesmo tendo vindo de portugal. a obsessão com o sol e com a luz entranha-se e é uma alegria incontrolável. em segundo lugar, diria que sair à noite. tirando o preço, é muito divertido. a neve é outra coisa de que gostos muito. os primeiros dias de inverno em que começa a nevar e ainda há claridade são lindíssimos. por último, adoro o facto de, faça chuva ou faça sol, haver sempre pessoas na rua. acho que faz parte da cultura, claro, se não passavam seis meses dentro de casa. eles têm um ditado: “não há mau tempo, há más roupas” (there’s no bad weather, only bad clothing). ou seja, nunca está demasiado frio para sair de casa, equipa-te bem, veste um bom casaco, e sai.
 
p: ¿e as três coisas que menos gostas?
 
r: os meses do pico do inverno, sobretudo novembro. nesta altura os dias diminuem, temos só quatro horas de luz, é mesmo muito deprimente. também existe aqui uma tendência para andar tudo sempre a fazer a mesma vida, vestido da mesma forma, sempre nos mesmos sitios. não há muito espaço para o alternativo, para as coisas espontâneas e diferentes. mas há uma coisa de que não gosto mesmo, que são os preços. é uma cidade ridiculamente cara, sobretudo para se ir jantar fora e sair à noite. um jantar custa entre 30 a 70 euros (facilmente) e sair à noite é um investimento. uma cerveja num bar custa entre 50 e 60 coroas suecas (SEK) o que significa apróximadamente 5 ou 6 euros
 
se vives fora de portugal ou conheces alguém a morar além fronteiras que queira partilhar a sua história, envia-nos um e-mail para redaccao@idealista.pt

1 Comentários:

28 Julho 2011, 0:01

se ja tiverem algum conhecimento de sueco*

lol :)

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