É oficial. A incerteza gerada pela guerra no Médio Oriente nos mercados financeiros fez disparar as taxas Euribor em março, as quais registaram das maiores subidas em três anos. Esta não é uma boa notícia para as famílias que estão a pensar contratar um novo crédito habitação em abril, porque vão pagar prestações da casa mais altas, podendo a subida mensal chegar a 30 euros. Também quem já está a pagar um empréstimo da casa a taxa variável vai sentir um aumento nos custos se a prestação for revista este mês.
Tal como já era esperado, as taxas médias mensais da Euribor subiram – e muito – em março. E isto acontece porque os mercados financeiros estão a antecipar que o Banco Central Europeu (BCE) aumente as suas taxas diretoras duas vezes este ano para travar a inflação na zona euro, a qual deverá ter disparado em março para 2,5% (1,9% em fevereiro) devido ao agravamento dos preços da energia gerado pela guerra no Irão, estima o Eurostat. Na reunião de março, o BCE manteve os juros inalterados, assumindo uma posição cautelosa perante o futuro.
Assim se traduzem os aumentos das taxas médias mensais da Euribor em março de 2026, que até então estavam estáveis oscilando apenas em torno de 2%. As subidas mais expressivas foram sentidas nos prazos mais longos:
- Euribor a 12 meses: fixou-se em 2,565% em março de 2026, mais 0,344 pontos percentuais (p.p.) face a fevereiro. Só mesmo há cerca de três anos é que se sentiu uma subida desta proporção em apenas um mês;
- Euribor a 6 meses: média mensal subiu para 2,322% em março, mais 0,178 p.p. do que no mês anterior. Esta é a maior subida mensal desde abril de 2023;
- Euribor a 3 meses: subiu para 2,109% em março, uma subida mensal de 0,098 p.p., a menor entre os três prazos. Ainda assim, é preciso recuar ao final do verão de 2023 para encontrar uma subida mensal de semelhante dimensão.
Prestações da casa sobem até 30 euros em apenas um mês
Com estes aumentos das taxas Euribor em março de 2026 impulsionados pela guerra no Irão, quem está a pensar contratar um crédito habitação a taxa variável vai pagar prestações da casa bem mais caras do que se o tivesse feito há um mês.
É isso que mostram as simulações do idealista/créditohabitação, que têm em conta um empréstimo da casa a taxa variável contratado em abril de 2026 (que usa a média mensal da Euribor de março) no valor de 150.000 euros, com spread 1% e prazo de 30 anos:
- Euribor a 12 meses: a prestação da casa será de 679 euros nos doze meses começados em abril de 2026, mais 29 euros face a um empréstimo contratado no mês anterior;
- Euribor a 6 meses: a prestação da casa a pagar em abril e nos cinco meses seguintes será de 658 euros, mais 15 euros do que quem contratou o crédito em março;
- Euribor a 3 meses: a prestação da casa será de 641 euros nos primeiros três meses do contrato, mais oito euros face ao mês anterior.
O impacto do conflito no Médio Oriente é, assim, mais direto nas taxas Euribor que flutuam consoante as previsões futuras dos mercados financeiros. Mas também se pode refletir em alta nos custos dos créditos habitação a taxas mistas e fixas brevemente, uma vez que o swap da taxa de juro a cinco anos negociava a 2,884% esta terça-feira (dia 31 de março), bem acima dos 2,361% de 27 de fevereiro, dia imediatamente anterior ao escalar da guerra que opõe o Irão aos EUA e Israel, escreve o Público.
Mas há que aguardar as decisões dos bancos que operam em Portugal. "Ainda precisamos de esperar para ver como vão reagir os bancos. Podem adotar uma abordagem mais conservadora e passar esse aumento dos juros para os créditos habitação a taxa fixa, ou podem esperar para ver como os bancos centrais reagem antes de tomar qualquer medida, dado o risco de perder negócios para a concorrência", refere Miguel Cabrita, responsável pelo idealista/créditohabitação em Portugal.
Empréstimos existentes revistos em abril com prestações mais caras
As famílias que estão a pagar um crédito habitação a taxa variável (ou mista em período variável) devem ter em conta este aumento expressivo da Euribor em março, porque terá impacto em alta na revisão da prestação da casa em abril. Note-se que a maioria dos mutuários no país possui crédito a taxa variável (51% do stock total em janeiro), embora a taxa mista tenha vindo a ganhar terreno (já pesa 44%), segundo o Banco de Portugal (BdP).
No caso da Euribor a 12 meses, a prestação da casa poderá subir de forma considerável, porque a taxa está 0,167 p.p. acima da registada há um ano (quando se fixou em 2,398%). Quem estiver a pagar um empréstimo da casa indexados à Euribor a 6 meses também vai sentir um aumento na prestação da casa revista em abril , uma vez que esta taxa está hoje (2,322%) superior face à observada há um semestre (2,102%) – aumento traduz-se em 0,220 p.p.
Este incremento poderá ser menos significativo nas prestações da casa indexadas à Euribor a 3 meses, que passou para 2,109% enquanto há um trimestre estava em 2,048% (+0,061 p.p.). Importa não esquecer que dimensão da variação da prestação da casa depende também do montante em dívida, além do ano do contrato e condições do empréstimo.
Os dados do BdP referentes a janeiro indicam que a Euribor a 6 meses representava 39% do stock de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável. A Euribor a 12 e a 3 meses representavam 32% e cerca de 25%, respetivamente.
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