Crédito habitação: aumento do investimento reduz poupanças das famílias

Capacidade de financiamento das famílias fixou-se em 3,9% do PIB, com o investimento em habitação a crescer mais do que a poupança.
Crédito habitação
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O aumento do investimento em habitação, quase sempre suportado por crédito bancário, está a marcar as finanças das famílias portuguesas e a pressionar a sua capacidade de poupança. No final de 2025, as contas nacionais por setor institucional mostram que o reforço da aposta na compra de casa contribuiu para uma redução da margem financeira das famílias, apesar da subida do rendimento disponível.

Segundo o ECO, cintando os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a capacidade de financiamento das famílias fixou-se em 3,9% do PIB no quarto trimestre, "menos 0,1 pontos percentuais que no trimestre anterior", refletindo "um aumento do investimento superior ao da poupança", lê-se na publicação.

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O INE destaca que este resultado refletiu principalmente o aumento de 4% da Formação Bruta de Capital Fixo, constituída essencialmente por habitação, evidenciando o peso crescente do imobiliário nas decisões financeiras das famílias. O investimento atingiu uma taxa de 6,3% do rendimento disponível, superando largamente a evolução da poupança, que cresceu apenas 0,5%.

Em paralelo, a taxa de poupança das famílias recuou para 12,1%, "menos 0,1 pontos percentuais que no trimestre anterior", num contexto em que o consumo aumentou mais do que o rendimento. O INE sublinha que "o crescimento do Rendimento Disponível Bruto (RDB), conjugado com o aumento de 1,4% da despesa de consumo final, determinou uma taxa de poupança das famílias de 12,1%". 

O rendimento disponível subiu 1,3% no trimestre, apoiado sobretudo pela evolução das remunerações, que cresceram 1,7%, mas em termos reais o ganho foi modesto: "o RDB ajustado per capita das famílias aumentou 0,3%", sinalizando uma desaceleração do poder de compra.

A mesma fonte refere, ainda, que esta dinâmica está associada a um maior recurso ao crédito habitação, num quadro de descida das taxas de juro após o pico de 2023. O INE lembra que "desde o segundo trimestre de 2024 este comportamento inverteu-se com a redução das taxas de juro", o que terá alimentado o aumento do investimento em habitação em 2025.

No conjunto da economia, a capacidade de financiamento subiu para 2,5% do PIB, "refletindo essencialmente a melhoria do saldo das Administrações Públicas", mas, ao nível das famílias, o retrato é de "mais investimento, menor poupança e maior dependência de financiamento", consolidando o crédito habitação como motor da economia, mas também como fator de vulnerabilidade financeira.

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