Arte Urbana: mural em Lisboa vai a votos para melhor obra do mundo

Pintura de 14 metros de Patrícia Mariano, realizada na empena de um prédio em Campolide, estará a votos até dia 14 de janeiro de 2026.
Mural Patrícia Mariano
Fonte: Câmara Municipal de Lisboa

O mural 'Calypso', da artista lisboeta Patrícia Mariano, estará a votos para o prémio de melhor street art do mundo. A obra, realizada na empena de um prédio do Bairro da Bela Flor, em Campolide, foi inspirada na mitologia greco-romana e destaca-se pelo uso de tons de azul que transmitem frescura e leveza. A votação online decorre entre 1 e 14 de janeiro na plataforma Street Art Cities, depois de a peça ter sido eleita a melhor obra do mês em junho.

Segundo o Público, Patrícia Mariano, de 37 anos, sente que esta distinção representa uma consagração pessoal e nacional: “Já temos essa conquista de a obra ter sido escolhida como a melhor do mês, em junho. Se vencer a votação de melhor do ano, será uma alegria enorme e também uma conquista e um orgulho para o país”, lê-se na publicação. A artista trabalhou durante dez dias sob intenso calor, aplicando a sua técnica de pincel sobre paredes e telas numa obra de 14 metros de altura por 10 metros de largura.

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A pintora iniciou-se na arte mais tarde na vida, após abandonar a publicidade, e tem vindo a ganhar notoriedade pelo seu estilo surrealista, centrado em figuras femininas e animais. O mural reflete estas inclinações, apresentando a figura da ninfa do mar submersa num aquário, em perfeita harmonia com os elementos aquáticos. “Ela precisa de água para respirar e está em perfeita harmoniza com os mares e consigo mesma”, explica Patrícia.

O festival Muro 2025, organizado pela Galeria de Arte Urbana da Câmara de Lisboa, proporcionou o contexto para a criação do mural. De acordo com Hugo Cardoso, coordenador da GAU, citado pelo Público, a nomeação de 'Calypso' evidencia o impacto da plataforma: “Tem ganho tração no mundo da arte urbana, posicionando em lugar de relevo os autores e as cidades neles mostradas.” O evento decorreu em Campolide, abrangendo bairros como Serafina e Liberdade, e teve como tema o “ciclo da água e a sustentabilidade ambiental”.

Apesar de alguns moradores inicialmente terem mostrado cepticismo face à intervenção, Patrícia Mariano destaca o reconhecimento crescente da sua arte e a receção positiva junto da comunidade. A artista acredita que, caso a obra seja eleita a melhor do mundo, representará não só um marco na sua carreira, mas também uma celebração do talento português na arte urbana internacional.

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