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Cibercrimes aumentaram “de forma exponencial” durante a pandemia, avisa PGR

Só em abril, até dia 16, foram recebidas 162 denúncias, mais que em todo o ano de 2016, 2017 e 2018.

Markus Spiske on Unsplash
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Autor: Redação

O cibercrime disparou em Portugal com o início da pandemia do novo coronavírus. Os dados revelados recentemente pelo gabinete de cibercrime da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a evolução deste fenómeno permitem concluir que o “número de crimes praticados nesta área – até dia 16 de abril – multiplicou-se de forma exponencial”.

“As queixas de crimes online recebidas pelo Gabinete Cibercrime foram consistentemente aumentando entre 2016 e 2019 (...). Além da clara progressão no número de queixas recebidas ao longo dos anos, uma outra conclusão se agiganta: as [162] denúncias recebidas no ano de 2020 (somente até 16 de abril) superaram já as de todo o ano de 2018 [160] e aproximam-se do número total do ano de 2019 [193]”, lê-se na nota informativa divulgada pela PGR.

PGR
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Segundo o documento, é possível “projetar que o número de denúncias de cibercriminalidade que o Gabinete Cibercrime virá a receber em 2020 será muitíssimo superior às que tem vindo a receber no passado”. Mas há mais números a ter em conta: 76 das 162 queixas recebidas este ano são relativas aos primeiros 16 dias de abril.

PGR
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“Dos números incluídos na tabela (ver em cima) apercebe-se claramente o exponencial aumento das queixas pela prática de cibercrimes recebidas em março e abril de 2020 – e ainda mais, sabendo que, quanto a abril, apenas se consideraram aquelas que foram recebidas até ao dia 16. É também o que resulta da representação gráfica que segue (em baixo). Nela, identifica-se um aumento muito expressivo durante o mês de março: 230%, considerando os valores do mês de fevereiro. Em abril anota-se, considerando o mês de março, um aumento de 165%. Trata-se de um incremento extraordinário, por se referir apenas às denúncias recebidas até ao dia 16 de abril. A manter-se esta tendência, o aumento percentual do mês de abril poderá andar pelos 330%”, conclui o documento.

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Uma "tendência" mundial

Entretanto, e segundo um estudo da EY, quase 60% das organizações a nível mundial sofreu um “número crescente” de ciberataques “disruptivos” nos últimos 12 meses, com os especialistas a alertarem para o impacto do Covid-19.

De acordo com a Lusa, que se apoia no estudo em causa – foram inquiridos 1.300 líderes de cibersegurança –, é ainda possível concluir que, no último ano, 23% dos ciberataques foram perpetrados por grupos de crime organizado.

Já os grupos ativistas, acrescenta a EY, foram responsáveis por 21% dos ataques de cibersegurança bem-sucedidos, uma subida significativa quando comparados os dados com os do estudo do ano anterior, em que apenas 12% dos entrevistados considerou os ativistas como os causadores mais prováveis de um ataque.

“Acreditamos ainda que já nos próximos meses os grupos ativistas vão aumentar os ataques em função da reação das organizações à pandemia de Covid-19”, considera, em comunicado, o responsável da área de cibersegurança da auditora, Sérgio Martins.