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Turismo Fundos já investiu 15 milhões na compra de imóveis em que donos ficam como arrendatários

Maioria das candidaturas à OpenCall202020, que apoia empresas em dificuldades devido à pandemia, é de imóveis de hotelaria em territórios de baixa densidade.

Photo by Moritz Knöringer on Unsplash
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Autor: Redação

O Turismo de Portugal tem 60 milhões de euros para operações de 'sale and lease back' - dando a possibilidade aos donos de imóveis afetos a atividades turísticas em dificuldades de vender os ativos a um fundo de investimento do Estado e manterem-se como inquilinos e a explorar o negócio. Até ao momento, e no âmbito do concurso lançado em junho passado, foram aprovadas 12 operações no valor de mais de 15 milhões de euros. O objetivo é dar fundo de maneio às empresas para resolverem problemas de tesouraria, decorrentes da crise pandémica.

A maioria das candidaturas recebidas na chamada OpenCall202020, executada pela Turismo Fundos, é de imóveis de hotelaria, localizados nos territórios de baixa densidade. "Foram recebidas, no âmbito da OpenCall202020, 45 propostas de operação, num montante superior a 100 milhões de euros, tendo sido aprovadas até ao momento 12 operações num montante total de cerca de 15,6 milhões de euros", disse fonte oficial da Turismo Fundos ao Dinheiro Vivo.

Para poderem ser elegíveis para este apoio, as empresas proprietárias dos imóveis afetos à atividade turística ou industrial têm de cumprir alguns requisitos, nomeadamente ter a sua situação regularizada perante o Fisco e a Segurança Social. "De entre as candidaturas recebidas cerca de ¾ referem-se a imóveis afetos a atividade turística, sobretudo a hotelaria, e ¼ a imóveis industriais. Em relação aos imóveis turísticos mais de metade localizam-se em territórios de baixa densidade", precisou o Turismo Fundos. "No que se refere aos imóveis industriais, cerca de 70% localizam-se na região centro".

O balanço que a sociedade gestora faz da iniciativa é, segundo escreve o jornal, "muito positivo", sendo dito que "as entidades proponentes têm reconhecido que este instrumento financeiro, que se caracteriza pela venda e subsequente arrendamento de um imóvel, com opção de compra, é muito adequado às suas atuais necessidades".

"Propõe-se o lançamento de calls no montante global de 60 milhões de euros, no âmbito de fundos de investimento imobiliário sob gestão da Turismo Fundos-SGOIC S. A., para operações de Sale and Lease Back, com obrigação de investimento em modernização e eficiência energética ou economia circular, sendo 40 milhões de euros destinados ao turismo (dos quais 50 % afetos a territórios de baixa densidade) e 20 milhões de euros destinados à indústria", pode ler-se na resolução do Conselho de Ministros (Diário da República n.º 110-A/2020, Série I de 2020-06-06), que aprova o Programa de Estabilização Económica e Social (PEES).

A Turismo Fundos diz ainda estar agora "focada na avaliação das candidaturas apresentadas, no sentido de assegurar a decisão sobre as mesmas no mais curto espaço de tempo, até ao limite do orçamento definido".

A Turismo Fundos gere atualmente cinco fundos de investimento. Dois são fundos fechados para empresas do setor do turismo e um terceiro é dedicado aos territórios de baixa densidade. A sociedade gere ainda os ativos do Fundo Revive Natureza e o Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas, que inclui a indústria. O montante global gerido pela sociedade ascende a 330 milhões de euros.