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“Pandemials”, uma geração que nasce em tempos de crise e que pode deixar marcas nos jovens

Estudo Global Risks Report 2021 conclui que há o risco de “nascer” uma “subclasse digital” de trabalhadores em Portugal.

Global Risks Report 2021
Global Risks Report 2021
Autor: Redação

A pandemia da Covid-19 parece não ter fim à vista e são muitos os danos colaterais que prometem deixar marcas na sociedade e nos jovens. O estudo Global Risks Report 2021, produzido em parceria com a Marsh & McLennan Companies e o Zurich Insurance Group, põe o dedo na ferida e alerta para um fenómeno que poderá ganhar espaço em Portugal: o surgimento dos “pandemials”, jovens sem recursos e capacidades que podem vir a ser uma espécie de “subclasse digital” de trabalhadores. 

“A pandemia de COVID-19 não só retirou a vida a milhões de pessoas, como ampliou também as disparidades já existentes ao nível da saúde, da economia e do digital (...). Milhões de cuidadores, trabalhadores e estudantes – em especial minorias que já se encontravam em desvantagem mesmo antes da pandemia – estão agora em risco perder o rumo para sociedades novas e mais justas que a recuperação poderia ter desbloqueado (...)”, alerta o estudo

Segundo o site Human Resources, que se apoia no referido relatório, “estes desenvolvimentos podem impedir ainda mais a cooperação global necessária na resposta aos desafios de longo prazo, como a degradação ambiental”.

Citado pela publicação, Fernando Chaves, especialista de Risco da Marsh Portugal, refere que o estudo em causa “dá um forte relevo aos efeitos decorrentes após a pandemia de COVID-19, que ameaça aumentar as disparidades e agravar as fraturas sociais”. “Portugal, dadas as suas circunstâncias económicas, sociais e políticas, está igualmente exposto a esses riscos”, aponta.

Segundo o responsável, “a pandemia veio acelerar o processo de digitalização das organizações, mas o tempo de adaptação é diferente de pessoa para pessoa”. “A também diferente capacidade de acesso à internet pode cavar um fosso ainda maior entre os mais desfavorecidos e os demais, nomeadamente em futuros processos de emprego – como o relatório indica, ‘aqueles que não têm acesso a recursos e capacidades digitais correm o risco de ficar para trás como uma ‘subclasse digital’ de trabalhadores’”, alerta.

Para Fernando Chaves, “os mais jovens enfrentam uma nova crise de emprego e de oportunidades, sendo impactados ainda num conjunto de outros aspetos (como exposição a doenças do foro psicológico, de formação mais debilitada, entre outros), que faz deles o que classificamos como ‘pandemials’ – aqueles que ficam irredutivelmente marcados no seu futuro pelo impacto de longa duração desta pandemia; uma geração que se vê fortemente afetada por duas grandes crises globais profundas”.