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O que é uma casa? É (quase) tudo e transformou-se com a pandemia

Na exposição "Casa", Carlos Bunga explora as diferentes dimensões deste espaço. Como a pandemia transformou tudo e a espécie humana é uma ameaça à casa-comum.

"Casa", Carlos Bunga, Galeria Vera Cortês, 2021 /  Carlos Bunga
"Casa", Carlos Bunga, Galeria Vera Cortês, 2021 / Carlos Bunga
Autor: Redação

A casa é um espaço em constante construção. É um direito, um desejo, um abrigo ou uma prisão, um lugar para viver e o local onde queremos morrer, é também um ninho, é quem amamos. É liberdade, representa o amor, mas também pode ser o inferno e uma personificação da dor. A casa é um ecossistema, simultaneamente uma cidade, um país, um mundo. Transformou-se com a pandemia e pode ser tudo. “Casa” é também a primeira exposição individual de Carlos Bunga numa galeria em Portugal.

Através de fotografias, vídeos, pinturas, esculturas e desenhos, o artista explora todas as dimensões do conceito casa, e de que forma a pandemia impactou e transformou este espaço.

“Nos últimos tempos temos sido obrigados a procurar novas formas de estar nas nossas casas como resultado da sua obsolescência. As casas passaram de refúgios a prisões, converteram-se em centros de produção e de consumo onde o público e o privado se misturam, algumas hiperligadas e outras praticamente isoladas, solitárias ou asfixiantes, hipertecnológicas ou sustentáveis, e a meio caminho entre o físico e o virtual”, lê-se no comunicado de imprensa que apresenta a exposição.

Na “Casa”, de Carla Bunga, fica patente a ideia que que a “pandemia não colocou só todos os corpos em casa, também deixou aqueles que não a tinham, ou a perderam, na rua”, numa alusão aos sem-abrigo. “As suas malas e os seus carros cheios de objetos, é tudo o que lhes resta das suas casas. Os seus corpos-casa são monumentos urbanos que nos fazem lembrar o fracasso das nossas instituições democráticas”, lê-se.

Carlos Bunga, Homeless #5; Homeless #1, Galeria Vera Cortês, 2021
Carlos Bunga, Homeless #5; Homeless #1, Galeria Vera Cortês, 2021

É também uma crítica à capacidade do ser humano esgotar recursos e por em risco a nossa “casa comum”: “Enquanto as nossas casas se transformam, a terra está em ruínas, e nós humanos que juntamente com outras espécies animais somos menos de 10% da biomassa do planeta, somos quem tem provocado estes desequilíbrios, esgotando cada vez mais rápido os recursos terrestres. Será que o nosso futuro tem espaço para continuar apesar de estarmos a esgotar os recursos da nossa casa comum?”.

“Casa” está em exposição na Galeria Vera Cortês, em Lisboa, até 18 de setembro de 2021. Pode ser vista de terça a sexta-feira das 14h às 19h e ao sábado das 10h às 15h30.