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A casa do futuro no pós-Covid-19

Autor: Redação

A pandemia mudou (e continua a mudar) a forma como vivemos, dentro e fora de portas. Trouxe novas tendências e acelerou outras. A casa assumiu-se como um grande refúgio tornando-se na escola, no local de trabalho e de lazer de muitas famílias, com a criação de novas necessidades e a introdução de diferentes hábitos, rotinas, formas de conviver e de estar. Mas de que forma se estão e vão adaptar as nossas casas a esta nova realidade? Como será a habitação na era pós-Covid? Preparámos este especial que responde a isto e muito mais.

Casas multifunções e com mais espaços ao ar livre

Com o confinamento, as pessoas ficaram mais conscientes dos seus espaços e da importância e qualidade dos mesmos. A casa tende, por isso, a adaptar-se para tornar-se num "espaço misto", capaz de incorporar de forma fluída diferentes funções, nomeadamente o trabalho, descanso e lazer. E também a privilegiar uma maior conexão com o exterior e a natureza, com mais jardins e espaços ao ar livre.

Daí que os terraços e varandas sejam vistas cada vez mais como opção “sim ou sim” no futuro, tal como explica este arquiteto ao idealista/news. Espaços de transição que funcionam, na verdade, como balões de oxigénio, e que já se revelaram fundamentais durante a quarentena. E até já há projetos inovadores para edifícios sem varanda – o caso desta solução pré-fabricada que promete “esticar” os m2 da casa.

A preocupação coletiva com a higiene e bem-estar também irá moldar a habitação do futuro, que deverá ser cada vez mais “à prova” de pandemia. Um espaço onde irão caber inovações hiper-higiénicas e super-sustentáveis, de que é exemplo a nova geração de torneiras sem contacto para a normalidade pós-covid, isto é, soluções que reforçam as medidas de higiene e segurança preventivas.

A casa ideal dos portugueses 

As principais redes imobiliárias do país analisaram os comportamentos desde o rebentar da pandemia e ao longo destes últimos meses, num especial para o idealista/news, procurando avaliar as novas tendências de mercado e de que forma a procura de casa - mais orientada para espaços maiores, interiores e exteriores – está a ter efeitos nos preços e negócios. Qual é, afinal, o tipo de casas mais procurado? 10 das principais redes imobiliárias do país dão a resposta.

Teletrabalho e o (necessário) escritório em casa

Esta deve ser, muito provavelmente, uma das grandes mudanças na era pós-Covid: a flexibilidade laboral, com períodos de trabalho em casa e no escritório, veio para ficar. Trata-se de uma tendência que já estava a ser implementada por várias empresas, mas que ganhou novo impulso com a pandemia.

Shutterstock
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Mas muitas casas não estavam devidamente preparadas para esta nova realidade, e muitas famílias tiveram de improvisar espaços para articular a vida familiar e profissional. Durante e já depois do confinamento, foram surgindo e sendo pensadas múltiplas soluções para criar um espaço de escritório em casa, que será uma aposta para o futuro:

Preparar a casa para ser uma escola

Até novas regras em contrário, as escolas irão continuar de portas abertas, mas tudo dependerá da evolução da pandemia. Assim, e em caso de novo confinamento, como o que aconteceu em março, o melhor será preparar a casa para as aulas à distância. Desde a mesa simples que se pode abrir facilmente na sala de estar, até aos ambientes mais acolhedores, com mesas de escritório, sem esquecer as secretárias de trabalho para espaços maiores, e as casas pequenas (como os estúdios). Estas dicas podem servir de inspiração a quem desejar criar um espaço próprio para o estudo dos filhos.  

Vida no campo na mira, mas cidades sobrevivem

Maiores preocupações com saúde e bem-estar, a par de alterações na rotina diária – de que é exemplo o teletrabalho – têm começado a provocar um maior êxodo urbano, que a reforçar-se, dará mais vida de volta aos subúrbios, áreas urbanas circundantes e áreas rurais ou perto da praia. As gerações Z e millenial, diz a Beko, vão procurar cada vez mais zonas deste género para melhorar a qualidade de vida. 

Francisco Grácio, CEO da PortugalRur, confirma a tendência em entrevista ao idealista/news, adiantando que, devido à pandemia, a procura de imóveis no interior de Portugal disparou. “Nota-se uma afluência enorme e nunca vista na procura de casas e propriedades no meio rural”, frisa. O Governo quer, exatamente, atrair mais cidadãos para o interior do país e criou um programa de apoio para o efeito, desde desde apoios fiscais para as famílias, às empresas e ao investimento, mas também à silvicultura. Está tudo explicado aqui.

Mas, apesar da mudança de comportamentos, e das áreas suburbanas e rurais serem vistas como mais atrativas, o “fim” da vida nas cidades é ainda visto, por alguns, como um mito urbano, e os especialistas explicam o porquê neste artigo.

Imobiliário verde e sustentável

Os projetos energeticamente mais eficientes e construções de melhor qualidade, deixarão apenas de ser apenas uma necessidade -  numa altura em que as questões ambientais e a pegada ecológica estão cada vez mais presentes na vida das pessoas e das empresas -, mas uma condição para o negócio. Esta foi uma das conclusões de um dos webinares TEKSIL2020, “A Construção e Imobiliário Verde e Sustentável”,  que juntou vários players do setor para discutir estas e outras questões, contando com o apoio do idealista/news.pt. Os espaços verdes e ao ar livre tornaram-se o “santo graal” dos tempos de confinamento. Como será daqui para a frente?

Casas passivas e os benefícios para a saúde

A preocupação com o ambiente e a redução da pegada ecológica, mas também o conforto das casas, ganharam ainda maior destaque com a pandemia, e há cada vez mais soluções a chegar ao mercado para satisfazer estes critérios. Falamos, por exemplo, das casas passivas, que apresentam “um padrão de qualidade construtiva, ambiental e de conforto do mais elevado que existe”, segundo as palavras do arquiteto Jorge Cardoso Teixeira, ADA - Atelier de Arquitetura, responsável pelo projeto passivhaus do condomínio Quintinhas, em Vilamoura, “as primeiras a ser construídas em escala em Portugal”.

Estas casas passivas, construídas em parceria com a Vilamoura World, assentam num conceito base de construção ‘eco friendly’, com materiais o mais sustentáveis possíveis, sendo todo o projeto pensado para minimizar, desde o impacto ambiental do ato da construção, com a redução significativa de desperdícios e produção de lixo de obra, à utilização de sistemas modulares de construção seca onde todo o sistema é modelar integrado de madeira.

Além disso, tal como explica o arquiteto, a todas as vantagens acresce o facto da qualidade ambiental do ar interior de um edifício passivhaus (passivo) ser muito superior à grande maioria dos edifícios existentes. “Em cidades com o ar muito poluído, o ar interior apresenta melhor qualidade que o ar exterior, o que do ponto de vista da saúde publica é determinante na redução das patologias respiratórias e alérgicas”, refere.

Mais pessoas a viver em empreendimentos turísticos

Outra das tendências de futuro poderá passar por, cada vez, mais pessoas optarem por viver em empreendimentos turísticos. E o retrato do que se passou na quarentena pode ser um bom indicador, pelo menos de acordo com o relato de Pedro Fontainhas, diretor executivo da Associação Portuguesa de Resorts (APR), em entrevista ao idealista/news. O responsável dizia, naquela altura, que o número de residentes permanentes nos empreendimentos tinha subido bastante, com mais pessoas a viver naqueles locais de forma permanente, o que foi “um sinal claro de que os proprietários das casas optaram por esse tipo de vida, de ambiente, de conforto, de qualidade, de serviço etc. para passar a sua quarentena”. Pedro Fontainhas prevê, aliás, que muito mais gente irá viver para empreendimentos turísticos, quer portugueses, quer estrangeiros.

Vilamoura World
Vilamoura World

Na mira destes modos de vida estarão, mais uma vez, os millennials, segundo Rob Jenner, CEO da Vilamoura World. O responsável garantiu, também em entrevista ao idealista/news, que a geração millennial será no futuro mais ou menos próximo a base dos seus clientes, uma vez que se trata de uam geração que “pede produtos mais sustentáveis, reconhecendo a importância das áreas verdes de Vilamoura, bem como o seu parque ambiental, e optando por meios de mobilidade mais ligeiros, como a rede pública de bicicletas”. Além disso, aquele é “um local perfeito para se poder trabalhar à distância”, segundo o CEO, uma vez que as casas já se encontram equipadas com uma infraestrutura de telecomunicações que inclui internet de alta velocidade, beneficiando ainda os clientes de espaços de coworking.

Novos modelos de habitação à vista?

O Multifamily, ou a habitação construída para arrendar, faz furor lá fora e poderá vir em breve a revolucionar o imobiliário em Portugal, de acordo com um estudo da JLL. Trata-se de um segmento alternativo que gera “apetite” entre os 'millennials', classes média e média baixa, estudantes ou profissionais deslocados, que precisam de soluções para viver que não passem pela compra de casa. Seja por dificuldades em obter financimento junto dos bancos para comprar casa, ou porque simplesmente preferem a flexibilidade de se mudarem quando quiserem, algo que se tornará mais evidente no pós-pandemia, e que poderá ajudar a resolver o problema da habitação no país.

Casas pré-fabricadas: como ganhar espaço dentro e fora de casa

Os módulos pré-fabricados assumem-se, cada vez mais, como solução para o problema da falta de espaço em casa ou para uma segunda residência, colmatando necessidades sem gastar muito tempo e dinheiro em obras. Na verdade podem ser usados como espaço para o escritório ou como quarto de hóspedes. Ou ainda como um estúdio de música e até um ginásio.

As obras das famílias em tempos de pandemia

O confinamento fez-nos passar muito tempo em casa, e pequenas coisas que antes poderiam não ser uma prioridade para nós, como a decoração ou pequenas reparações, tornaram-se agora essenciais. Os portugueses, por exemplo, sentiram que era hora de remodelar o seu espaço. Desde remodelações, reabilitações ou decoração, as famílias decidiram pôr mãos à obra e transformaram algumas divisões da casa ou até acrescentando outras, segundo explica Luís Martins, diretor operacional da Urban Obras, em entrevista ao idealista/news.

Mas antes de investir, é necessário pensar em todos os prós e contras, para garantir que que os valores são canalizados para as áreas certas. É isso que explica Nuno Garcia, diretor-geral da GesConsult, também em entrevista, revelando os 5 aspetos a ter em conta antes de remodelar a casa.