8 ilhas espetaculares onde se chega a pé, caminhando sobre o mar

Da Normandia à Coreia do Sul, passando pelo Canadá, Dinamarca e Reino Unido, o mote é sempre o mesmo: a relação dinâmica entre a terra e o mar.
Isole raggiungibili a piedi
Getty images

Chegar a uma ilha a pé, sem ferries nem barcos, tem um fascínio particular, porque transforma o próprio conceito de mar numa passagem natural e quase mágica. Em Itália e no resto do mundo existem várias ilhas acessíveis a pé, ligadas ao continente por finas línguas de areia, istmos naturais ou zonas de fundo muito baixo.

São muitas vezes ambientes lagunares ou costeiros, onde a morfologia do território cria ligações temporárias ou permanentes e oferece panoramas espetaculares e uma experiência fora do comum.

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Em Portugal há um caso próximo que ajuda a perceber o fenómeno. O Baleal, junto a Peniche, foi outrora uma ilha e liga-se hoje à costa por um estreito cordão de areia (um tômbolo), que se atravessa a pé para chegar à povoação. 

Serve de referência mental para os oito destinos que se seguem, alguns bem mais dramáticos porque dependem por completo das marés.

Isola Bella, em Taormina: o ilhéu onde se chega a caminhar

Isola Bella
Isola Bella Pexels

A Isola Bella, aos pés de Taormina, na Sicília, é provavelmente um dos exemplos mais conhecidos de ilha acessível a pé em Itália. O ilhéu liga-se à costa por uma estreita faixa de areia e seixos que emerge claramente durante a maré baixa, permitindo atravessar o pequeno troço a pé. 

Quando o mar sobe, a água pode cobrir parcialmente a passagem, mas na maior parte dos dias de verão continua a fazer-se a pé, com o mar raso.

A Isola Bella é também uma reserva natural regional, com rica biodiversidade marinha e fundos particularmente indicados para snorkeling. A área está protegida para preservar o equilíbrio ambiental, e por isso algumas zonas têm regras próprias.

O acesso à praia é livre; a visita aos espaços museológicos do ilhéu implica bilhete.

Ilha de Mozia, no Stagnone de Marsala: caminhar na lagoa

Stagnone de Marsala
Stagnone de Marsala Getty images

Na Reserva Natural do Stagnone, perto de Marsala, fica um pequeno ilhéu conhecido como Ilha de Mozia, inserido num contexto lagunar único no panorama italiano. 

Aqui o fundo é muito baixo ao longo de centenas de metros, o que permite chegar à ilha caminhando pela antiga via púnica submersa, sobretudo nos períodos de maré baixa ou quando o nível está particularmente reduzido.

A zona do Stagnone é também conhecida pelas condições ideais para o kitesurf, graças à combinação de vento constante e fundos baixos. Por ser reserva natural, o acesso está sujeito a regras de proteção do ecossistema lagunar. Antes de fazer a travessia, convém informar-te sobre as condições meteorológicas e o nível da água.

Mont Saint-Michel, França: a ilha que reaparece com a maré

Mont Saint-Michel
Mont Saint-Michel Pexels

O Mont Saint-Michel é um dos exemplos mais célebres do mundo de ilha acessível com a maré baixa, mas só em determinadas condições. Situada na Normandia, esta extraordinária abadia medieval ergue-se sobre um rochedo rodeado de areias e de marés das mais fortes da Europa.

Na maré baixa, a água recua durante quilómetros e deixa a descoberto uma vasta extensão de areia. Na maré cheia, o mar rodeia por completo o promontório e transforma-o numa ilha para todos os efeitos.

Hoje o Mont Saint-Michel conta também com uma passadeira pedonal sobrelevada, que garante acesso seguro durante todo o ano, mas a experiência mais impressionante continua a ser a travessia guiada sobre a areia na maré baixa. 

As correntes e as areias movediças tornam indispensável o acompanhamento de guias experientes. Classificado como Património Mundial da UNESCO, o local atrai milhões de visitantes por ano e é um dos símbolos mais reconhecíveis de França.

Brough of Birsay, Reino Unido: um trilho entre as marés

Brough of Birsay
Brough of Birsay - Chmee2, CC BY-SA 3.0 Wikimedia commons

No norte da Escócia, nas ilhas Orcadas, o Brough of Birsay é um exemplo perfeito de ilha de maré, ou seja, ligada ao continente apenas quando a maré desce. Um antigo caminho de pedra emerge do mar durante algumas horas por dia, permitindo chegar a pé a este pequeno ilhéu, rico em vestígios arqueológicos da época picta e nórdica.

Quando a maré volta a subir, a passagem fica totalmente submersa e o Brough isola-se de novo. A área é conhecida pelos vestígios de povoamentos viquingues e por um farol construído no século XIX. O acesso é livre, mas depende por completo dos horários das marés, assinalados localmente para garantir a segurança de quem visita.

Mandø, Dinamarca: a ilha no Mar de Wadden

Mandø, no Mar de Wadden, na Dinamarca, liga-se ao continente por uma estrada sobrelevada que só se percorre durante a maré baixa. Quando a água desce, a ligação emerge e permite a passagem de veículos e, em alguns troços, também a pé. Na maré cheia, a estrada fica submersa e o acesso interrompe-se por completo.

O Mar de Wadden é igualmente Património da UNESCO e é famoso pelo fenómeno das marés e pela biodiversidade excecional. A ilha de Mandø tem poucas dezenas de residentes e uma paisagem feita de prados, diques e horizontes. Os horários de acesso são atualizados diariamente e são essenciais para planear a visita.

Jindo e Modo, Coreia do Sul: o "milagre do mar"

Sea Road
Sea Road - myself (User:Piotrus), CC BY-SA 3.0 Wikimedia commons

Entre as ilhas mais espetaculares do mundo onde se chega a pé destaca-se a ligação entre Jindo e Modo, na Coreia do Sul. Ocorre aqui um fenómeno natural que atrai todos os anos milhares de visitantes: durante poucos dias, em geral entre março e junho, consoante o calendário lunar, o mar recua e forma uma estrada natural com cerca de 2,8 km de comprimento e algumas dezenas de metros de largura, que une as duas ilhas.

O acontecimento é conhecido como o "Milagre do Mar de Jindo" e é celebrado com um festival local. O fenómeno deve-se à configuração particular das marés e das correntes na zona. Durante o período do evento, a travessia faz-se num contexto organizado e monitorizado; no resto do ano, as duas ilhas permanecem separadas pela água.

Minister's Island, Canadá: atravessar a Baía de Fundy

No Canadá, na província de New Brunswick, a Minister's Island liga-se ao continente por uma estrada natural de gravilha que emerge com a maré baixa na Baía de Fundy, famosa por ter algumas das marés mais altas do planeta. 

Quando a água recua, é possível chegar à ilha a pé ou de carro, seguindo o trilho indicado. Na maré cheia, a ligação fica totalmente submersa.

A ilha é conhecida pela residência de verão de Sir William Van Horne, figura central no desenvolvimento dos caminhos de ferro canadianos. Os visitantes têm de respeitar rigorosamente os horários oficiais das marés, para não ficarem isolados. A Baía de Fundy é um dos ambientes marinhos mais dinâmicos do mundo.

Lindisfarne, Reino Unido: a ilha sagrada ligada pela maré

Lindisfarne
Lindisfarne Getty images

Lindisfarne, também conhecida como Holy Island, fica ao largo da costa do Northumberland, em Inglaterra. Liga-se ao continente por uma estrada asfaltada que só se percorre, a pé ou de carro, durante a maré baixa. Quando o mar sobe, a ligação fica submersa e a ilha volta a isolar-se durante várias horas.

Lindisfarne é célebre pela sua abadia medieval, um dos centros mais importantes do cristianismo anglo-saxónico. As autoridades locais publicam tabelas precisas com os horários seguros de travessia, e ao longo do percurso há abrigos sobrelevados para emergências. A combinação de espiritualidade, natureza e marés faz de Lindisfarne uma das ilhas de maré mais fascinantes da Europa.

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