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Portugueses já pagam o mesmo de seguros e juros na prestação da casa

Autor: Redação

A subscrição dos seguros de vida e multiriscos é uma obrigação no momento de pedir um empréstimo para a compra de casa. Atualmente, são perto de 3,9 milhões de portugueses que possuem o chamado seguro habitação, ou seja 45,8% de todos os residentes no continente, segundo dados da Marketest. E, num momento em que as Euribor estão em mínimos históricos, os encargos com os seguros já correspondem ao mesmo valor que é pago em juros pelo financiamento.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o valor médio da prestação do crédito à habitação ascendia a 238 euros em abril. Deste total, apenas uma fatia de 49 euros são respeitantes a juros (20,6% do total).  

Este valor pago pelos juros do empréstimo à habitação nunca foi tão baixo em Portugal e equivale já ao que é custo pago pelos seguros obrigatórios no financiamento, escreve o Jornal de Negócios, frisando que, em alguns casos, o valor dos seguros até supera o que remunera o financiamento concedido pelos bancos.

O diário realça, porém, que o valor do seguro de vida considera devedores de 35 anos e, em regra, o prémio vai sofrendo agravamentos com o avançar da idade. Além disso, no multirriscos é considerada a totalidade do valor em dívida do financiamento e o valor do prémio também se vai ajustando à medida que o capital em dívida vai diminuindo. 

O que protegem os seguros obrigatórios no crédito à habitação?

O seguro de vida assegura o pagamento de parte ou da totalidade do financiamento em caso de morte ou incapacidade permanente de um dos devedores, enquanto o multirriscos diz respeito à proteção do imóvel. 

Os dados do estudo "Basef Seguros da Marktest" revelam que em abril de 2016, o seguro habitação tinha 3.918 mil possuidores, um valor que corresponde a 45.8% do universo composto pelos residentes no continente com 15 e mais anos.

Embora com pequenas oscilações, este valor tem-se mantido relativamente estável nos últimos anos. A Marktest, em comunicado, explica que a idade e a ocupação são as variáveis que têm maior influência na sua posse, sendo nestes grupos que se registam maiores diferenças de comportamento dos indivíduos. A classe social também regista diferenças assinaláveis, ao contrário do género e da região.

A subscrição do seguro habitação está acima da média em especial junto dos indivíduos dos 35 aos 54 anos, entre os quadros médios e superiores e técnicos especializados/ pequenos proprietários, assim como entre os pertencentes às classes alta e média alta, com taxas acima de 60%.