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Está na hora de transferir o crédito da casa? Spread caiu 56,5% em 10 anos...

O Doutor Finanças acredita que esta pode ser uma boa altura para renegociar ou transferir o crédito, mas é preciso ter alguns cuidados.

Doutor Finanças
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Autor: Redação

Os spreads dos contratos de crédito à habitação desceram 56,5% na última década. Os valores passaram de 2,39 em agosto de 2009 para 1,04 em agosto de 2019, segundo dados disponibilizados pelo Banco de Portugal (BdP). O Doutor Finanças acredita que esta pode ser uma boa altura para renegociar ou transferir o crédito, mas alerta para a necessidade de se analisarem alguns fatores antes de dar início ao processo. Mostramos-te quais são.

A empresa especializada em finanças pessoais e familiares comparou ainda os dados de agosto de 2019 com o período homólogo de 2011, quando estávamos no pico da crise, verificando que o diferencial é ainda maior, uma vez que o valor do spread desce cerca de 75%, passando de 4,15 (em agosto de 2011) para 1,04 ( em agosto de 2019). Numa comparação a 5 anos o valor desce 66,3%, passando de 3,09 (em agosto de 2014), para o valor de agosto de 2019 agora disponível (1,04).

Para Rui Bairrada, CEO do Doutor Finanças, a probabilidade de quem contraiu um empréstimo nos últimos 10 anos poder poupar com a transferência do crédito à habitação é muito grande, sendo este um momento ideal para reavaliar a situação financeira.

“Hoje em dia, o dinheiro está mais barato. A Euribor encontra-se negativa, fazendo com que, com muita probabilidade, os encargos totais que pagamos atualmente (relativos a um crédito habitação realizado há alguns anos) sejam superiores ao que pagaríamos se contraíssemos o crédito hoje. Deste modo, pode fazer todo o sentido analisar as opções disponíveis no mercado e com isso melhorar os encargos que temos atualmente com o crédito ou com os seguros que lhe estão associados”, comenta o responsável, citado em comunicado.

O Doutor Finanças decidiu destacar os principais aspetos a analisar antes de avançar para a transferência de um crédito habitação. Eis aquilo que não deves perder de vista:

  • Reler o contrato atual

É necessário verificar a penalização e os custos associados à transferência de um crédito habitação e garantir ainda que o tempo mínimo que está descrito no contrato corrente já foi cumprido. 

  •  Enquadramento económico 

Verificar se as condições que o mercado oferece na atualidade são de facto melhores do que as praticadas no momento em que o crédito foi realizado. Atualmente, o “dinheiro está mais barato”, e os spreads encontram-se em valores perto de 1%, o que quer dizer que os bancos estão a conceder crédito com melhores condições atuais para o cliente.  

  • Verificar a taxa de spread atual (no contrato) vs. a taxa de spread praticada no mercado

Cada caso é um caso, mas para quem tem uma taxa de spread elevada (por exemplo acima de 1,7%) transferir o crédito habitação pode ser muito compensatório, uma vez que já encontramos no mercado spreads na casa de 1%.

  • Seguros associados ao crédito habitação

Não é obrigatório ter estes seguros no banco onde tens o crédito habitação. Mesmo que agraves o spread atual, o que vais poupar em seguros poderá compensar esse agravamento.

  • Produtos associados ao crédito habitação

Existem produtos associados ao crédito habitação que, embora permitam uma bonificação no spread, encarecem muito o crédito, como é o caso dos cartões de crédito, despesas de manutenção ou contas-poupança. É importante analisar o seu custo.

  • Custos associados à transferência do crédito habitação

Para transferir o crédito habitação é necessário pagar uma comissão por reembolso antecipado. O valor varia tendo em conta uma taxa variável (0.5%) ou em taxa fixa (2%).

  • Avaliação das condições pessoais e profissionais atuais 

No caso de transferência, e como essa questão envolve o facto de ser um cliente novo para o banco, é necessário passar por uma nova avaliação das condições pessoais e profissionais atuais, onde a sua taxa de esforço será tida em conta.  

  • A valorização/desvalorização do imóvel

Na transferência do crédito, tal como na aquisição, é feita uma nova avaliação do imóvel. Esta avaliação vai acompanhar o mercado atual. No contexto atual, a probabilidade é que o imóvel seja valorizado.